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A verdade nua e crua

Eu confesso que quando minha mãe me trata mal, eu vejo que ela não se preocupa comigo e que não posso contar com ela, vejo ela como inimiga.
Percebo que esse “tratar mal” não é “cobrança de mãe” e nem imposição de limites para educar. Percebo um grande egoísmo e uma total falta de preocupação comigo. Percebo inveja.
Tenho uma leve impressão de que isso me leva a levar a vida com mais “maturidade”, ou seja, com mais medo das coisas, já que sem os cuidados da minha mãe eu fico sem uma retaguarda, se algo me acontecer de ruim, provavelmente penso que ela irá gostar, pois finalmente me dei mal como ela tanto queria.
Sim, porque percebo inveja nela. Percebo em alguns comentários de que ela tem inveja de que estou bem, ou de que sou bonito, ou de que consegui me superar em momentos difíceis, de que eu posso malhar e ela não, já que ela esta com artrose no joelho.
Enfim, eu sei que nem tudo que eu percebo é o que realmente é, pode ser que sim, pode ser que não. Mas algumas atitudes dela já me demonstraram isso algumas vezes.
No momento, não tenho condições financeiras de me estabelecer sozinho, por isso preciso conviver com ela e tolerá-la em seus ataques de fúria contra mim até que eu consiga sair de casa.
Um ato falho da minha mãe é frequentemente me chamar de Augusto, que é o nome do irmão dela do qual ela sempre reclamou que sua Mãe, minha avó, preferia muito mais ele como filho do que ela. Ai eu penso: Será que ela acha que eu sou o Augusto, incoscientemente, e tenta descontar isso? Faz sentido, pois ela trata muito melhor o meu irmão, é muito mais tolerante com ele do que comigo.
Por que ela me colocou no lugar do Augusto? Será que eu pareço com ele em alguns aspectos? Ou ela simplesmente está transferindo essa “mágoa” dela pra mim? Foi aleatório?
Não sei se isso importa tanto, mas o fato é que ela tem seus ataques de fúria comigo e eu não faço ideia do quão prejudicial isso pode ser pra mim, pois já estou acostumado com isso, não sei o que é ser tratado de outra forma por uma Mãe. Lembro de quando mais jovem eu via como as Mães de meus colegas tratavam eles, e sentia uma certa inveja disso.
De qualquer forma, penso que esse tratamento da minha mãe pode ter sido até benéfico pra mim em termos de maturidade, de tentar buscar as coisas por mim mesmo sem ficar dependendo dela. Mas por outro lado, acho que perdi muito na parte social. Não sou uma pessoa muito sociável, não tenho muito jeito no lidar com as pessoas. Sou tímido, não tenho uma boa desenvoltura ao falar. Aliás, não vejo muita vantagem nisso também, nunca vi, acho que por isso não desenvolvi certas habilidades sociais, por não dar valor a isso. Se posso tolerar o “desamor” da minha mãe, acho que consigo tolerar o “desamor” do mundo inteiro. Talvez por isso eu não me preste a me esforçar pra conseguir carinho dos outros.
Algumas vezes fico angustiado e não tenho ninguém com quem conversar, ninguém em que eu confie o suficiente para tal. Se minha mãe não é suficiente, quem será? Já tentei me suicidar umas 2 vezes, já fui internado em hospital psiquiátrico 2 vezes. Hoje aprendi a controlar minha angustia, parei de pedir a Deus o que ele não pode me dar. Hoje eu aceito a vida como ela é e tento seguir conforme o andar da carruagem.
Meu pai é uma cara muito bom, no trabalho. Talvez ele esteja certo, o que importa nessa vida é trabalhar, gerar empregos, ganhar seu dinheiro honestamente, ou não tão honestamente assim. Mas o fato é que o dinheiro soluciona muitos problemas, tendo dinheiro pro resto da vida, da pra driblar muitos problemas mesmo que sem solucioná-los. Afinal de contas, iremos morrer e não sabemos o que encontraremos após a morte. Tudo indica que nada. Então, que diferença faz? Não gosto de pensar assim, mas essa é a realidade nua e crua que vejo. Mas sabe como é né, esperança é a última que morre…
Lembro até hoje do dia em que meus pais se separaram, eu era o irmão mais velho e tinha uns 10 anos de idade, assumi a responsabilidade de tentar fazer eles ficarem juntos já que foi isso que me ensinaram na catequese. Foram em vão as minhas tentativas. Ouvi da minha mãe: “Você é muito novo, um dia quando crescer você vai entender.” Falei pro meu pai: “Promete que não vai arrumar outra mulher”. Hoje eu entendo melhor e aceito. Meu pai arrumou outra mulher e teve mais dois filhos e mais um agregado do antigo casamento da atual esposa dele. Coisa mais normal do mundo nos tempos modernos.
A lição que eu posso tirar de tudo isso? Sim, claro… A lição que eu aprendi com tudo isso é: Assuma a responsabilidade por suas atitudes o mais rápido possível. Sua mãe e seu pai não vão te dar um emprego, eles de fato estão muito mais preocupados com a própria vida e sucesso deles do que com o seu. Não generalizo, existem as exceções, mas acredito que uma grande parcela é assim.

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Escrito por Anônimo

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