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A vida não vale a pena.

Eu confesso que nem sei por onde começar. Já posso te avisar de que esse texto será longo. Desde que eu nasci, minha vida tem sido uma sucessão de problemas cada vez mais graves. Eu sempre fui uma criança triste, não por falta de amor ou apoio. Meus pais são as melhores pessoas do mundo, sempre me ajudaram em tudo, são incríveis. Nunca vi eles brigarem um com o outro. Eles não merecem o lixo de filho que eu sou. Nunca consegui ser feliz, cresci como uma criança sociofóbica, sempre morri de medo de pessoas. Grande parte das minhas lembranças da infância são de passagens por psicólogos, psiquiatras. Eu nasci anormal, virei um ratinho de laboratório desde cedo. Fazia muitas coisas bizarras, tipo me jogar do alto da escada de casa, bater minha própria cabeça na parede até que alguém me impedisse. Um dia passei 4 horas seguidas em pé abraçado com o abajur da sala. Imóvel, por 4 horas, no meio da madrugada. Isso com 6, 7 anos de idade. Quanto mais eu crescia, mais piorava. Aos 10 fui parar na UTI com um canivete na barriga, enfiado por mim mesmo. A partir daí, passei a fazer terapia intensiva, ia várias vezes por semana ao psiquiatra. Na mesma época (já tinha 12), aprendi a esconder meus machucados. Me machucava várias vezes por dia, aproveitava toda e qualquer oportunidade para me cortar, me bater. Comecei a me viciar em auto-tortura, me viciar de verdade. Meus pais já não sabiam o que fazer comigo, tentavam me impedir mas não conseguiam. Eu faltava muito, então comecei a estudar em casa. Estudei em casa por 2 anos, até que decidiram que eu tinha que começar a tentar me “socializar” e me enfiaram numa escola. No início foi horrível, eu não conseguia conversar com ninguém, sentia pânico, falta de ar, ânsia e dor de cabeça. Depois de cerca de 1 ano e meio, comecei a conversar com outras pessoas aos poucos. Já com quase 16, arrumei a garota da minha vida. E digo no sentido de amizade, já que infelizmente, nasci homossexual. Enfim, tirando meus pais, ela é a única pessoa que continua do meu lado depois de tantos anos. Ela é incrível, perfeita. Não existe nenhuma pessoa no mundo tão perfeita quanto ela. Hoje ambos já temos 26 anos. Ela: casada, formada, trabalhando, com casa própria e feliz. Eu: solteiro, nunca completei os estudos por medo da faculdade, não consigo trabalhar, nunca vou poder morar sozinho. Minha vida é um inferno e acabei por tornar a dos meus pais um também. Passo o dia todo deitado, todos os dias. Sou muito magro e muito branco, nunca fui considerado atraente por ninguém. Nunca namorei por conta do medo. Minha vida é uma desgraça, não quero mais ficar aqui, tomando um monte de remédios que nunca funcionam. Já tentei me matar de várias formas, mas nunca deram certo porque meus pais me vigiam muito. Mas qualquer hora eu consigo, eles não vão conseguir me deixar vivo para sempre. Sinto que não vai demorar, o dia em que eu finalmente partirei.

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Escrito por Anônimo

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eu estou afim do amigo do meu namorado

minha irma tesuda