em

A vida que levo

Eu confesso que já cogitei a possibilidade da morte ser a única escapatória, ou menos dramático, apenas ir para outro estado morar com meus parentes por não aguentar mais a vida que levo.
Minha mãe teve um casamento difícil com meu pai, sofria agressões físicas e verbais. Como não tinha nem ao menos os estudos completado, casa e nem família para que lhe aparasse, continuou a morar com seu marido. Teve seu primeiro filho – meu irmão mais velho – que desejava tanto.
E então começou as traições por parte do marido, quando não lhe cabia mais a possibilidade de sair de casa com um filho nos braços sem para onde ir, decidiu engravidar novamente do homem achando que o fruto fortificaria a relação daquele casal problemático. E nasci.
A mulher tera errado em um quesito, eu não fortificaria o casamento, eu apenas complicaria-o ainda mais. E foi assim que ocorreu. As traições ficaram mais frequentes assim como as agressões também. Quando completei 3 anos, meus pais se separaram e fiquei marcada como o fruto do ódio. Minha mãe jamais teve o desejo de me ter, muito menos meu pai, não como eles desejaram tanto a gravidez do meu irmão mais velho.
Na minha infância eu sofria agressões físicas gravíssimas de meu irmão mais velho – que chegou a quebrar minha clavícula – de uma professora particular cujo dava cadernadas em minha cabeça e não muito surpreendente nem ao menos inesperado, agressões de minha mãe, agressões rotineiras, tanto físicas como psicológicas. Meu pai fora o único a não me agredir de nenhuma forma nem gênero.
Após a infância turbulenta e traumática, desenvolvi depressão moderada e ninguém sabe que ainda sofro.
Hoje as agressões reduziram apenas porque agora me defendo, mas não falo com meu irmão – por mais que o seu quarto seja do lado ao meu – e minha relação com minha mãe é muito delicada, a base do nosso relacionamento de mãe e filha é por mentiras e ilusões, promessas que ela me faz mas não cumpre nenhuma. Meu pai é ausente, mora na capital, por mais que ele não fosse um bom marido, ele é um bom pai.
Hoje tenho 14 anos e ainda sou o fruto indesejado por minha família do qual são todos preconceituosos e apóiam a ditadura militar, o que apenas dificulta ainda mais nosso relacionamento pois sou feminista.
A minha motivação para continuar minha vida são meus estudos, a minha sede por me formar em direito e ir morar longe da tão odiosa minha família.

Reportar

O que você acha?

Escrito por Anônimo

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor recarregue a página.

virgem quer namorada

LEIAM E REPASSE