Ele que não se aceita.
Sou mulher, heterossexual. Sou defensora dos direitos LGBT, sou a favor do amor livre, e da felicidade. Não sei o que é ter atração por pessoas do mesmo sexo. Mas sei o que é paixão.
Conheci um rapaz e Achei que era homossexual. Porém, ele imediatamente se sentiu atraído e partiu para o ataque: não tirava os olhos do meu decote (embora tentasse disfarçar) e naquele dia mesmo, atacou.
Passamos um ano envolvidos numa relação intensa. Por mais que tentássemos, não conseguíamos desgrudar. Nossas agendas se conectaram.
Tivemos problemas com a ex dele, fazendo intrigas. Nós enfraquece-nos, brigamos, reatamos melhor que antes. Porém, inexplicavelmente, ele resolveu se afastar… sem me comunicar. Após algumas tentativas de reaproximação frustraras, desisti. Quando ele teve que ir fazer plantões na cidade vizinha, me procurou. Disse que eu era a pessoa mais importante da vida dele – primeiro a mulher, depois disse “a pessoa”.
Depois desses plantões, ele era outra pessoa. Afirmou até que eu teria me enganado quanto ao que vivemos. Atribuo isso a presença de um colega específico durante esse trabalho.
Sei que ele me traiu. Mas também sei que em momento algum cedeu a atração que tem por mim, o carinho, e a atenção. A paixão, não sei.
O fato dele ter voltado tão mudado me decepcionou. Ele não “cuida” da relação. E acho que é porque sabe que é bissexual.
Meu desabafo é: sou madura e gosto o suficiente para aceitar isso. Desde que ele se dispusesse a viver a paixão.
Creio que ele matou a paixão ao colocar barreiras. Fico abismada: a pessoa se livra de uma ditadura social pra embarcar em uma que ela mesmo se impõe. Veja: falo de um homem que ainda morre de tesao, e quer saber de mim todos os dias. E que está chateado por eu ter rompido a relação.

