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Acho que fui estuprado

Boa noite! Com os debates atuais sobre lutar contra a cultura do estupro, percebi que muitas vezes naturalizamos alguns acontecimentos em nossas vidas que não deveríamos aceitar, porém, muitas vezes é tido como natural.
Não estou aqui para tomar o lugar de fala das mulheres, mas para expor que não há justificativa para o estupro e o único culpado é o estuprador
Sou menino e sofri diversos abusos na infância e até mesmo depois de adulto e, alguns, tentei apagar da minha mente ou até naturalizei.
Por volta de cinco ou seis anos de idade, meu vizinho de uns 15 anos de idade me colocou para chupar o pênis dele e tentou me penetrar, mas chegou gente antes que isso acontecesse. Na mesma época outro vizinho, de mesma idade, ficou me mostrando o pênis e queria que eu chupasse. Tinha um primo pouco mais velhos que eu que nos acariciávamos e um primo mais velho [uns 14 anos] viu e disse que se eu não o chupasse, contaria para nossa avó. Eu o fiz, pois tinha medo de apanhar. Ainda por volta dos seis anos de idade, um primo que tinha uns 20 anos, trocava de roupa na minha frente e ficava esfregando o pênis no meu ânus. Lembro que uma vez ele me levou para o banheiro e colocou na minha boca. Na época eu não sabia direito e senti um gosto estranho na boca, um dia desses, relembrando, que me dei conta que era sêmen. Ainda sobre essa época, fui a casa de uma amiga da minha mãe e fiquei brincando no quintal, o irmão dessa mulher me levou no quarto e ficou roçando em mim.
Passado o período da infância, veio a adolescência. Aos 12 anos de idade, meu tio de 40 anos chegou em casa bêbado e me penetrou. Disse que se eu contasse pra alguém me mataria. Os abusos duraram dos 12 aos 17 anos, que foi a época que eu comecei a reagir. Uma vez perguntei se ele gozava dentro de mim e ele disse "várias vezes". Uma vez aos 17 anos bebi um pouco a mais numa festa, bebi demais, mas lembro de dois caras, me chamarem pra sair da festa e falarem que eu disse que iria dar pra eles dois. Uma amiga chegou há tempo e me tirou de lá, mas nesse mesmo dia lembro do namorado de uma amiga tentar enfiar o dedo no meu ânus.
Após os 18 anos, fui a uma festa e encontrei um carinha com quem eu ficava [de beijinho] de vez em quando. Eu estava bêbado. Ele me levou pra um canto e me penetrou [eu pedi pra ele parar, mas ele falou "tô terminando"]. Namorei um cara mais velho e um dia ele ficou com raiva e na hora que transamos ele ficou agressivo e me machucou. Mesmo sangrando ele continuou me pegando. Uma vez participei de um ménagem com um casal de amigos, não foi a força, eu quis. Foi legal. Porém, outro dia, fui visitá-los e não tinha a intenção de fazer nada, até que um deles começou e eu pedir pra parar, porém o outro nos trancou e disse que eu só ia sair quando eu desse. Continuei evitando, até que o cara insistiu tanto que eu deixei [senti muito nojo de mim, deles e não somos mais amigos]. Outro dia dormi na casa de um amigo meu, e acordei com ele me chupando. Fiquei muito chateado.
Hoje em dia tenho namorado, gosto do meu namorado, mas tenho muitas dificuldades que acredito ser resultado das formas que tive contato com o sexo. Uns dias atrás, gozei antes do meu namorado e ele insistiu em continuar metendo. Fiquei nervoso e ele parou na hora. Ainda estamos juntos e ele não fez isso de novo.
Enfim, eu sou um garoto. Sou gay. Porém, todos os relatos acima não foram prazerosos e foram de homens próximos. A maior parte na infância. Foi estupro? SIM. Mas eu nunca tinha parado para pensar nisso. O que há de comum em todas as histórias? em todos os episódios eu me senti sujo, culpado e não podia contar para ninguém. Eu era criança, mas contei pra minha mãe do meu primo de vinte anos. O que aconteceu? levei uma surra e meu primo disse pra minha mãe que era mentira, que eu ficava olhando ele trocar de roupa.
Por isso eu peço a vocês. Fiquem de olho em suas crianças [filhos, primos, sobrinhos e amigos]. Todas as pessoas que me tocaram eram próximos e eram pessoas que deveriam me proteger. Eu era um garoto, não usava "roupas provocantes", não era sensual e não gostava desses atos. Hoje tenho alguns traumas que me atrapalham e, muitas vezes, atrapalhou meus relacionamentos. E muitos deles eu morrerei sem poder desabafar com ninguém.

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Escrito por Anônimo

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