Hoje é um dia qualquer de outubro, já no final deste. O ano é 2016.
O ano era 2000, final deste, mais ou menos nesta época, não lembro, mas havia um feriado, por isto pode acredito ter sido novembro.
Aquele ano foi de mudanças, coloquei fim a um casamento em qual eu não acreditava, confiava ou me fazia sentir bem. Daí virei o ano anterior com estas decisões, ainda que não as assumisse. Separações são complicadas, por mais que se queira, sempre haverá alguma dor e elas estiveram ali por meses.
Mas o ano fluiu e tudo foi amenizando… Não tinha muito tempo livre, trabalhava 12 horas e tinha uma escala horrível (que se arrastou por 5 longos anos). Busquei fazer amizade em sala de bate papo (atire a primeira pedra quem nunca entrou!). Mas era amizade, era descontração mesmo, não pensava ou queria conhecer ninguém de forma afetiva ou sexual.
Mas quem controla isto? Aconteceu e ainda assim deixei claro que não era o que queria naquele momento, apesar que meu corpo tremia de desejo a cada toque – acho que é bem a frase: minha cara fala o que minha boca não diz – quem dirá meu corpo…
Foi complicado? E como! Horários, filho ciumento, tanto pra dar errado… mas não deu. Foi um acontecimento, não uma escolha…
Eu me apaixonei e amei. Me sentia querida, amada e valorizada como mulher.
Somos gêneros diferentes, nossa intensidade é diferente, mas amava o fato de ter alguém que fazia sentir a pessoa mais importante. Poderia enumerar aqui vários exemplos de como era e me sentia, mas… não vem ao caso
Mulheres, de um modo geral, necessitam deste bem querer para se realizarem sexualmente, sabia? E por isto o sexo era maravilhoso, por isto fazia-se amor… Havia uma cumplicidade, uma intensidade que não dá para esquecer. Lembro de ouvir: "Ah! eu era básico". Básico?! Como assim? Ah! Sim, sexo tradicional, posições simples, encaixe e sexo…
Mas não, não dava para ser básico… Básico era pouco e daí tudo fluiu bem, tudo o que sei e gosto descobri a dois. Tanto que sempre digo que meu ex marido não acreditaria em metade disto sobre mim, porque para mim, a realização sexual veio agregada a uma relação afetivamente valorizada… o que não aconteceu antes disto. Sim, gosto de muita coisa que muita mulher não gosta, assim como não curto outras coisas que considero o avesso do prazer. Quem sabe disto? Quem precisa saber e ninguém mais, pois fico fora das conversinhas que possam comprometer.
Calma, não estou perdendo o foco, muito tempo se passou…
Acredito que hoje somos melhores amantes por conta da experiência que tivemos, um com o outro. Difícil não comparar, difícil não esperar pelo menos um pouco de tudo. Bem, eu mesma disse que depois disto eu tive poucas experiências, mas nem de longe chegou a sintonia que tivemos, uma pena… Pois, da minha parte eu fiz as coisas que gosto, da minha boca e do prazer que pude proporcionar não posso ser questionada… Não posso dizer o mesmo do parceiro… Mas vamos lá, não é isto.
Foram anos bons e seguiu-se assim até 2005, daí voltei a ter um ano complicado. Trabalhar sem salário foi a parte mais complicada de estar sozinha, não que eu precisasse de apoio financeiro, dei meu jeito. Difícil foi não ter ninguém perto, porque este ano também teve isto. Eu já não sabia se tinha alguém, se ainda tinha um relacionamento… (na verdade eu não tinha mais, só não sabia disto). Mas passou, ainda tivemos um breve encontro pouco antes do Natal, com uma despedida assim: "Quando te vejo de novo? Não sei, não posso te dizer nada, minha vida ta complicada agora".
Bem… Acabou, né? Ninguém avisou ou formalizou, mas acabou…
Daí me permiti conhecer alguém, sair, ir ao cinema, buscar um pouco de diversão… Porque foi assim que começou e acabou, depois outra pessoa com quem nem começou-se nada e mais outra…escolhas erradas… (Até 2010).
Agosto de 2008 – no primeiro dia de trabalho e retorno de férias fui atropelada por um taxista. Coisa besta… nenhum arranhão, mas meu cotovelo recebeu o impacto e trincou. Foram 60 dias de molho, gesso, tala, muita fisio, muita reflexão, foi um período dolorido fisicamente, mas muito promissor espiritualmente.
Não recordo bem como, mas voltamos a nos falar. Eu estava sem um relacionamento, mas envolvida emocionalmente com alguém. Você estava em um relacionamento, mas acredito que sem o envolvimento emocional para mantê-lo. Muita coisa veio a tona nesta época.
Não era o meu momento, eu tinha superado e seguido em frente.
Hoje eu sei que lhe magoei, mesmo sem intenção, pois não acreditava que falar com você seria uma volta. Mas de forma alguma isto era "troco" ou devolver o que eu (não) tive, de modo algum! Simplesmente não era o momento!
Nada novo até aqui?! Óbvio.
Mas que raio a gente tem que ser falar de novo? Depois de tanto tempo?!
Ok! Somos mais que adultos, vividos e civilizadamente seres que se comunicam. Ponto final?
Só que não é bem assim… Já se passaram 16 anos… O tempo não passou só para os outros. Dentro de mim sinto ter ainda 16 anos menos, meu corpo me desmente, mas juro que tenho!
Tem muita coisa acontecendo, vai ver é isso.
Nos encontramos assim, por acaso.
Mas a pergunta que lhe fiz mentalmente naquele dia foi: então, depois destes anos todos eu ainda sou uma pessoa interessante? Nunca vou saber a resposta… não verbalizei. Minha insegurança de não ser mais a mesma depois destes anos todos.
Até aí tudo bem?
Mas precisa me torturar com esta conversa – escrita, pelo whatsapp?
Precisa aflorar em mim um desejo mais que físico?
É vingança? Não faz isto… não faz bem pro figado.
Pelos bons momentos, não precisamos disto, não é mesmo?
Vamos combinar algo?
Eu acredito que você esteja em um relacionamento com alguém, que seja divertido esta brincadeira toda, que seja divertido como ver os videos de sacanagem que te mandam… Mas não faz isto comigo, ok?
Sempre fui uma boa pessoa com você, alguém em que pode confiar, alguém que foi cúmplice e que só lhe teve amor e afeição.
Não sou e nunca foi perfeita, tenho defeitos… Em 2008 não era o momento, não foi intenção não acontecer nada.
Estamos em 2016. O tempo é outro, meio ingrato por sinal…
Mas não faz isto…. hoje sou eu que estou na mesma situação que a sua de 2008. Não faz parecer que é troco, ok?
Vou ficar por aqui, imaginando apenas…
Quando esta sensação de que minha boca precisa da sua, mais que sexo só, talvez isto tenha definitivamente acabado.
Até lá ajuda muito pensar que você está feliz, que tem alguém para amar e ser amado da mesma forma. A distância geográfica também fará bem… para mim. Era só isto.

