Olá bom dia sou NSG tenho 42 anos, sou cadeirante devido a poliomielite que tive aos 9 meses de idade. formada em Pedagogia, professora de artes mas não atuo em escolas mais, no momento sou artesã; tenho uma família grande somos em 7 filhos , sou a mais nova. Minha mãe me criou para ser independente, saber me virar sozinha, ser capaz de algo mas…….na prática é bem diferente. Nasci em Belo Horizonte, sempre morei em BH mas por capricho do meu pai ele construiu uma casa na cidade de Sete Lagoas, quando eles se mudaram eu estava no 4º período na faculdade e não achei justo largar tudo e ir para uma cidade onde eu teria que começar tudo de novo e o pior é que não gostava da cidade. Morei sozinha por 3 anos, nossa que alegria, tinha minha vida e minha liberdade plena, mas….a vida me puxou o tapete, fiquei sem trabalho e complicou pagar as contas no fim do mês….. Tive que ir morar com eles novamente….
É muito ruim morar aqui, me sinto um peixe fora d´agua, tem uma irmã que não conversa comigo (nunca soube o motivo), ela toma conta de tudo na casa, manda nas coisas, não posso usar a cozinha direito, não posso usar a geladeira, não consigo comer as coisas com vontade e sim por sobrevivência.
Sei que também tenho N defeitos, assim como também tenho qualidades, não estou aqui julgando no sentido de ofender, mas com o objetivo de passar o que sinto, as pessoas não tem o respeito de me ouvir…apenas ouvir, sempre me falam que preciso mudar, ter mais paciência, ser mais compreensiva, mas ai pergunto, tenho que aceitar mesmo o homem que se diz meu pai, virar o rosto quando comprimento com um bom dia, boa tarde ou boa noite? tenho que aceitar mesmo isso? Ele me acusa de coisas que nem sei que fiz! me julga, me condena e aplica a sentença, para de conversar comigo do nada!
Meu pai é um homem muito difícil de lidar, orgulhoso, ignorante, hipócrita, gosta de manter uma imagem onde ele é gente boa, amigo, bem resolvido com as coisas, só que não é bem assim, eu sempre sofri preconceitos da parte dele, nunca me aceitou, sempre que saia com eles , não podia levar a minha cadeira de rodas pois "daria muito trabalho" e não tinha espaço no local; se ficassem no local 2 horas, eu ficava 2 horas no mesmo lugar…
Desde que comecei a querer fazer algo na vida, estudar, trabalhar, viver tranquilamente, eles me julgam, sou vagabunda, inútil, tudo que faço não tem valor, o meu conhecimento não serve. Há pouco tempo ele brigou comigo por ter recebido minha prima e o namorado dela aqui, (eles vieram me fazer uma surpresa de aniversário), me proibiu de trazer pessoas aqui. Logo que me mudei para 7 Lagoas, entrei para um grupo de escoteiros como voluntária, isso me faz muito bem, conheci pessoas, fiz novos amigos, mas ele julga ser perda de tempo, besteira, sou pessoa atoa…..
Juro que não sei o que fazer…..

