Não achei que algum dia isso fosse acontecer comigo. Não tenho preconceito comigo mesma (a família já é outra história é outra confissão anônima), e eu me descobri recentemente.
No início do ano retrasado fiz uma amizade que eu não tinha ideia de que iria se tornar o que é agora. Nós nos entendemos em 100% das coisas. Rimos das besteiras que a outra fala, ficamos horas no Skype mesmo sem ter assunto definido.
Enfim, ela falou para mim que era Bissexual, e eu abri o jogo para ela também. O problema é que, na época, eu me via na mesma condição que ela, e mal tinha ideia que minha orientação sexual fosse mais bem definida.
Esse foi um dos pontos de partida. Fui notando que eu estava reparando demais nela. O seu sorriso, suas expressões, sua risada, seu cabelo, seu lindo e maravilhoso corpo gordinho… Tudo dela era a coisa mais linda para mim, e cada toque que ela me dava, eu sentia vontade de abraçá-la e tomá-la do mundo só pra mim.
Mas aquele medo de perder a amizade passou pela minha cabeça, e isso foi o freio para todas as centenas de vezes que já ficamos sozinhas e já falamos de relacionamentos, ou seja, várias boas oportunidades. Afinal, eu não sabia se ela sentia o mesmo por mim.
Nós zoávamos que iríamos nos pegar, eu chamava ela de gostosa, delicia e vice-versa. Ríamos horrores uma da outra.
Foi aí então que ela, de repente, começou a namorar um garoto. Eles não desgrudavam, e como ela sempre pedia para irmos aos lugares juntas, eu ficava de vela em todas as ocasiões. Dizia que não me importava, que eu já estava acostumada com isso (de certo modo, já estava), mas a realidade é que meu coração era despedaçado todas as vezes que eu os via abraçados ou se beijando. Eu me imaginava no lugar dele, e ficava horas do dia pensando nisso.
O namoro durou 3 meses. Os 3 meses mais doloridos para meu coração. Não vou mentir: quis soltar fogos quando ela me disse que eles terminaram porque ela não sentia que realmente gostava dele. Para ela, foi apenas uma fase. Guardei a felicidade para mim, e me deliciei quando eu os vi e não estavam se agarrando. Podem me julgar agora, mas é a verdade.
Daí pra cá, eu e ela nos tornamos mais próximas ainda, mas percebi que os mesmos carinhos que ela me dava, também fazia com uma outra amiga nossa. Sinto ciúme sempre que ela aparece, e isso me deixa com muita raiva – de mim mesma e da amiga.
Agora aqui estou eu, vomitando esses sentimentos que não sei se eu nutri de forma ilusória em minha cabeça de adolescente de 17 anos ou se ela realmente tem vontade de ficar comigo.
Isso ainda machuca muito, mas não tenho coragem de falar isso para ela. Não ainda, e sinto que vou demorar para falar. Enquanto isso… Bom, não sei o que faço.

