Bem, tenho 37 anos, e nunca tive um relacionamento sério, pois sou deficiente físico. Minha mãe era uma jovem não de família rica, mas que tinha um pouco de condições. Ela se envolveu com um usuário de drogas e passou a usar também. Ela fumava, bebia, se drogava, a família achou que não tinha mais jeito. Foi quando ela apareceu grávida, meu pai sumiu de uma hora para outra,e a minha família, bem, teve que tentar cuidar dela, mesmo ela fugindoe usando porcaria. Num dia, quando ela estava grávida de oito meses, chegou uma noticia na casa dos meus avós, que ela havia tido bebê no meio de um bar, e que estava no hospital. Eles foram até lá e viram ela, e eu, então um bebê feio. Só tinha pedaço redondo de carne no lugar do braço direito, tinha o pé direito torto e sérios problemas de visão, os olhos estavam meio pregados, foi necessário uma cirurgia logo após chegar o hospital, para desmembrar as pálpebras. Não é visivel, mas por dentro dela até hoje há tipo uma bolinha de carne por dentro. Meus avós disseram que choraram quando me viram, minha mãe entrou em depressão. Ela, quando tinha 3 meses sumiu no mundo e só 1 ano depois, ela apareceu e morreu de problemas no fígado. Eu fui criado pelos meus avós e meus tios, que até hoje considero como pais. Minha infância foi um tanto chata, pois não podia brincar na rua, mas mesmo assim, eles colocavam brinquedos no berço e brincavam comigo. Tive dificuldades vocais, só vim falar aos 4 anos, com tratamento, e aquilo foi uma vitória. Na escola, me insultavam muito, pela minha condição física e por não conseguir ler muito bem. Foram anos ruins para mim. Uma vez, com 9 anos eu estava pensando em desistir, mas vi uma reportagem no canal da época chamado TVE, sobre a ascensão de deficientes no mercado de trabalho, continuei. Eu cheguei a ter amigos no ensino médio, aqueles que não tinham preconceito, e alguns da igreja que frequentava. Terminei o ensino médio como um bom aluno, a minha leitura melhorou muito ao longo dos anos.
Fiz curso de finanças e contabilidade, terminei, foi com 23 anos que eu beijei, era na festa de formatura, ela era uma amiga e deu um selinho em mim, não era um beijo de interesse, mas de amizade, mas considero como meu primeiro beijo. Eu finalmente fui morar só, em outra cidade, para trabalhar, sempre tente ser o melhor no que fazia. Ganhava bem, mas sofria muito preconceito, fiquei lá por sete anos. Depois, apareceram os sites de relacionamentos,msn, orkut, e eu me cadastrava, dava superbem com as pretendentes, mesmo dizendo que era deficiente, mas quando nos encontrava, sempre dizia que não combinávamos. Meu tio em 2008, me apresentou uma mulher, bonita, que se dizia interessado por mim, mas quando fomos na primeira festa, acho que os amigos dela mangaram de mim, ela me deu um gelo.Eu tava gostando muito dela. Quando no outro dia fui atrás de explicações, ela me chamou de "abestado" e "aleijado velho". Aquilo me doeu muito, voltei para casa dos meus avós desesperado, chorando muito e eles perguntavam o que havia acontecido. Eu só disse que nunca mais queria gostar de alguém. Mesmo assim continuei tentando, vendo conselho de amigos, tendo contas em sites, mesmo que só de deficientes. Mas não tá dando jeito. Tenho 1.74 de altura, 80 kg, loiro, olhos azuis, eu uso lente por causa das sequelas da minha deficiência,e como meus olhos são quase azuis, optei por uma igual. Eu vim aqui pois queria desabafar e ouvir sugestões, e eu não fico me reclamando das minhas deficiências, mas reclamo por não encontrar alguém que goste de mim do jeito que eu sou.

