Eu confesso que ainda sinto uma dor quando me lembro do dia em que eu o conheci virtualmente…
Tudo começou agradável… Eu toco contra-baixo há anos, ele também… Daí eu resolvi juntar coragem e adicioná-lo, na época, no Msn. Eu tinha 23 anos. Hoje tenho 26.
Era a minha distração após trabalho/faculdade, eu sempre fui solitária por opção.
Contato adicionado, logo aquele loiro cabeludo iniciou uma conversa comigo.
Fiquei entusiasmada, é claro, eu nunca tinha tido um contato tão amigável com um rapaz bonito… Não sou muito fã de cabeludos, nem de loiros, mas aquele rapaz me chamou a atenção por algo indefinível além daquela aparência e do fato de ser baterista.
Pois bem. Conversa vai, conversa vem… Eu o percebi um pouco narcisista, mas persisti. Queria ver até onde isso ia chegar.
O assunto centralizou no quesito música. Até quando ele me chamou para sair.
Fiquei feliz, mas eu, virgem insegura e amarga, ironizei dizendo que ele estava brincando e com certeza iria me pregar uma peça.
E então, aquele ser antes agradável, apelou com a ironia, tornou-se um pesadelo e foi logo me chamando de “puta maria-shampoo”, rasgando em minha alma uma ferida profunda.
Eu sou integrante da cultura Heavy Metal, e sei que esse rótulo “maria-shampoo” é o mais vulgar que uma Headbanger pode receber, pois coloca em dúvida sua própria dignidade.
O pior disso é que esse rapaz é influente, conhece muitas pessoas que eu conheço, enfim…
Isso ainda dói.
O pior é que ele me enviou convite de amizade em uma rede social e aceitei “pra lá”… De certa forma eu já o perdoei, mas eu de fato, nunca me assustei tanto com um mero sinal de imaturidade e frustração.
Hoje tenho meu namorado, há dois anos e meio, um homem lindo, agradável, igualmente headbanger e toca bateria. Estou feliz.
Mas não consigo me livrar dessa dorzinha.

