Eu confesso que quando criança, minha mãe me colocou num projeto de artes no centro comunitário para eu ter onde ficar depois da escola. Era para eu só brincar de massinha, mas com a ajuda da professora, fui pro balé. A professora me arrumava que nem uma menininha, com collant, meia, sapatilha e tic tac no cabelo. Me achava o máximo, rebolando a tarde toda e sendo tratado como as outras meninas. Até me chamavam por um nome feminino. Dancei lá quatro anos sem minha mãe saber. Até hoje tenho saudade daquela época.

