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Eu Confesso… Que as coisas parecem ter se tornado um fardo pra mim. É difícil encontrar a si mesmo, difícil lidar com muitas coisas. Tive uma infância difícil. Minha mãe trabalhava durante todo o dia para manter a mim e ao meu irmão mais velho, muitas vezes deixando de comer pra dar a nós dois. Não tínhamos os sapatos mais caros, nem as roupas, e nem mesmo brinquedos. Mas tínhamos o que ela conseguia nos dar, e isso era mais que suficiente. Meu par era alcóolatra, e nossa vida era ter medo de não acordar no dia seguinte. Ele batia nela, e todos os dias era um inferno. Algum tempo depois eu também me tornei alvo da violência dele. Meu irmão quase morreu por suas mãos. Eu até hoje tenho trauma de gritos e tenho dificuldade em me aproximar das pessoas. Foi imensamente difícil pra mim por crescer em meio a isso, e eu às vezes não compreendia, achava que aquilo não acabaria. “Porque não podemos ser como as outras pessoas? Porque a gente não vai embora mãe?”. Aos onze anos eu já pensava em me matar. Meu irmão se envolveu com drogas, e chegava a roubar o pouco que tínhamos dentro de casa pra sustentar o vício. Vendia coisas, tirava o pouco que minha mãe ganhava. Isso durou até Ele enfim ir embora, depois de muita luta da minha mãe e confusões. Porém eu não era mais a mesma. Como seguir a vida? Se antes o que eu mais desejava era que nos livrássemos dele, que conhecesse o que era ser feliz. Mas… E depois? Eu não tinha mais um rumo. Eu tinha por volta de quatorze anos, e já tinha depressão. Morrer era uma ideia constante na minha cabeça. Minha mãe não entendia porque eu era tão alienada, tão fechada, e tudo aquilo também deixou marcas nela. Eu me mantinha viva por ela. Mantinha-me de pé por ela.
Aos dezesseis eu comecei a beber, e muitas vezes chegava em casa com ajuda. Fumava compulsivamente, e minha mãe achava os cigarros na minha mochila, e vinha sempre conversar comigo, pra que eu não me estragasse assim. Era uma fuga pra mim. A sensação de felicidade temporária que o álcool causava. Assim como cigarro que me acalmava. Meus relacionamentos amorosos todos foram destrutivos, não deram certo, não fui correspondida ou não soube lidar com a pessoa. O que eu tenho de errado?
Meu irmão foi morar com uma usuária também. Hoje ele tem quatro filhos e mal tem dinheiro para comer. Minha mãe hoje tem uma vida melhor. Está em uma união estável com um homem, que possui um pouco de condições melhores, e ela é mais feliz. Eu por fora pareço inabalável, mas só eu sei como minha mente é um inferno. Eu estudo e recentemente comecei a trabalhar. Não bebo nem fumo mais. Porém são muitos fardos. A pressão de honrar minha mãe, já que meu irmão é desviado. De conseguir entrar pra uma faculdade, de não ceder as drogas, de não se matar. Não o faço por que sei que ela não resistiria, precisa de mim. E porque não admitiria a mim mesma ser tão fraca. Eu procuro forças pra me levantar todos os dias, pra não me deixar desanimar e não deixar meu sorriso morrer, minha fé e minha perseverança.

Lótus, 18 anos.
28 de março de 2015.

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Escrito por Anônimo

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