Eu confesso que nunca fui a pessoa mais vívida do mundo. Desde criança sempre tive a sensação de que nunca seria como as pessoas “normais”. Não tenho deficiência, não tenho alguma disfunção ou doença degenerativa. Meu caso sempre foi psicológico, porém esse fato não diminuiu ou aumentou meu ânimo. Posso parecer egoísta, talvez até seja, mas são meus motivos. Hoje tenho vinte dois anos e quando olho a infância que deixei para trás, não vejo nada que vala a pena. Quando somos menores, muitas coisas nos tiram sorrisos e felicidade. Com o passar do tempo, as coisa perdem o sentir, perde a eloquência. Hoje um ou dois coisas ainda me agradam. Com o tempo, somente uma ou nada mais. Pode se dizer que sempre fui melancólico, minhas paixões sempre foram doloridas. O amor se mostrou para mim o sentimento mais doloroso possível, mas não culpo minha ex parceira por isso, não culpo minha mãe por conselhos que nunca me fizeram sentido. Culpo a mim por não ser uma pessoa como qualquer outra que a vida parece ser vivida tão mais fácil, tão mais saborosa. Meus dias são eternos, mas minhas noites são piores, o suicídio corre minha mente todos os dias. Minha consciência me grita salvação, decisões que devia tomar. Mas sei que nego cada uma, porque não quero suporta-las. Sei que cada palavra que eu disse, não faz muito sentido. Talvez essa tenha sido minha escolha, permanecer como um poço de metáforas mal feitas e resolvidas. Vou morrer assim como cheguei a esse mundo, sozinho e confuso.

