Eu confesso que chorei como uma criança. Nasci assim, não escolhi isso. Relutei, depois caí nessa vida. Fui promíscuo, fiz sexo com vários homens, de todos os tipos, menti, traí. E cada vez me sentia mais sujo e infeliz. Muita tristeza, muita frustração, muitos vícios, muita vergonha, pena e nojo de mim. Deixei o álcool, parei de fumar, mas deixar a putaria gay era realmente difícil de fazer.
Tentei aplacar a compulsão sexual. Deletei todos os aplicativos de caça, deletei meu perfis, apaguei todos os vídeos. Apaguei todos os números. A vontade foi forte, o desejo também. Cada recaída eu me arrependia. Um Lixo. Levantei uma noite e jurei: Não quero mais isso. Mas no fundo eu sabia que seria difícil. Hoje seria mais um dia de enfrentar as fraquezas e resistir. Daí abri o note e fui no instinto, fui nas páginas de pornografia. Abri, olhei. Duas, três. Daí eu pensei: não quero mais isso. Sem culpa, sem vida suja. Percebi que vencer acontece também nas pequenas coisas. Depois que eu fechei essas coisas que um dia me levaram para uma vida triste, me deu uma vontade de chorar tão grande. Me senti vencedor, me orgulhei da minha força de vencer tudo isso. Pornografia, promiscuidade, vida paralela, vícios, culpa e vergonha. Não sei se vou recair de novo. Mas eu agora sentí o gosto de fazer o certo. Não escolhi ser homossexual, mas estou escolhendo agora ser um homem. Está chovendo agora e nunca foi tão bom. Sou um vencedor.

