Amei. Amei em vão. Dias inteiros se passaram esperando uma palavra tua. Quinze, dezesseis horas. Ele não quer conversar comigo. Café com leite. Leite quente. Café puro. Um cigarro, dois, três, quatorze. Meu Facebook continua aberto, e apesar de tentar em vão me concentrar no livro de Kant que comprei aquele dia que você me disse que gostava, em sessenta segundos, consigo passar os olhos pelo ícone do chat pelo menos umas trinta vezes. Mais um café. Gostamos das mesmas bandas. Lembra quando a gente cantou ‘Wish you were here’ no metrô? Meu coração pulsava a mil por hora em vão. Por que não me avisou que eu não deveria ter me apaixonado? Mais um cigarro. As mesmas bandas, os mesmos filmes, as mesmas séries, os mesmos livros. Prometi a mim mesmo que te faria ler ‘Robinson Crusoe’ no meu ouvido até os dois adormecerem. Que tu me ajudaria a entender o ‘A clockwork orange’, que eu te ensinaria a ouvir Tom Jobim e que aos finais de semana iríamos ao parque, à praça, à casa da sua mãe.
Foi um equívoco, entendi tudo errado. Pensei que dessa vez eu ia amar e ser amado. Até nossos sentimentos e medos combinavam, daríamos totalmente certo.
Mais um cigarro, a ardência na garganta cancela a ardência da alma. A melancolia da última tragada anula a tristeza de ter sido rejeitado. Seja feliz, vá buscar o que te apetece.

