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Como lidar?

Eu confesso que ainda sou apaixonada por ela.

Tá gente. Eu tinha uns 14 anos quando me dei por conta que estava profundamente apaixonada por uma professora. Tive coragem, fui lá e me declarei. Mandei uma carta, e depois – um ano, mais precisamente – me declarei pessoalmente. Ela reagiu muito bem, como profissional, uma excelente professora; foi educada, branda, me deu um fora suave, e continuamos amigas. Eu também lidei bem, apesar da tristeza. Entendia que o amor só existe com liberdade, e amar uma pessoa é desejar a felicidade dela, mesmo que não seja contigo. A vida seguiu.

De verdade eu sinto algo lindo e bom por ela, por favor, tentem ver meu sentimento fora do contexto apenas \"Lésbico\", eu amo ela antes disso, antes do sexo.

Teve uma treta na escola, sindicância, briga entre chapas para a direção e a merda acabou escoando em todo mundo. Ela acabou sendo indiciada injustamente e foi removida da escola. Nisso eu estava no segundo ano, com 15 anos. Foi o pior dia da minha vida, sofri muito. Ficamos um ano inteiro sem nenhum contato. Imaginem meu sofrimento.

Até que aos 16 anos eu consegui retomar o contato com ela. Através de meios \"religiosos\", eu frequentava um grupo espírita e passamos a nos reunir semanalmente na casa dela. Aconteceu que graças a isso – e eu, bem mais madura – nos tornamos grandes amigas. O grupo religioso terminou, mas nossa amizade continuou inabalável. Já fui para a casa de praia dela, frequento sua casa quase que semanalmente, ajudo ela com trabalhos de faculdade, ela desabafa bastante comigo. Ela sempre diz que sou \"diferente\", sou mais madura que muita gente na minha idade. O que de fato pode ser verdade, vivi coisas estranhas, aprendi a me virar desde cedo.

Bom, estou tentando encurtar uma história que já tem 7 anos, me perdoem pelo texto enorme.

Em minhas milhares de conjecturas sobre a vida eu havia chegado à conclusão \"definitiva\" de que aquele antigo sentimento mais \"quente\" tinha acabado, e que restara somente o amor tranquilo e puro que de fato sinto por ela, e também por sua irmã – que também me deu aula -. Visito-as frequentemente, converso, já fizeram até piadas sobre futuramente eu cuidar delas quando estiverem velhinhas (o que eu faria sem pestanejar). Existe um sentimento profundo e lindo que não se explica.

O \"problema\" é que, por mais que eu negue e finja que não existe nada além disso, que eu amadureci essa fase, que eu \"lidei\" com o primeiro amor, não adianta. Meu coração bate forte. Eu realmente a amo.

Eu namorei uma menina da minha idade por quase um ano, saí, me abri para outras pessoas. Eu realmente lidei com os fatos de maneira sóbria, \"não, ela é hétero, mais velha, ela é só tua amiga\", mas a felicidade que sinto quando a vejo me cega as ideias.

Eu já tinha perdido as esperanças há muito tempo, mas esses dias uma notícia me fez ferver de novo. Tem uma atriz, Holland Taylor, que se assumiu lésbica aos 72 anos, e além disso, também assumiu um relacionamento com outra atriz, Sarah Paulson, de 40 anos, ou seja, 32 anos mais nova. 32 dois anos. Essa notícia apareceu do nada pra mim, como se fosse um toque do destino… ou não, talvez coisa da minha cabeça 🙁

Eu nunca vou fazer nada, não vou arriscar nossa amizade tão bonita com um sentimento egoísta. Jamais arriscarei. Mas às vezes ela quase demonstra algo, um abraço que demora, um comentário \"tu é tão diferente das pessoas da tua idade\", ela já brincou dizendo que vai deixar a casa pra mim (ela é divorciada e não tem filho, infelizmente ele faleceu há mais de dez anos). Um dia ela desabafou que não queria morar sozinha, que queria alguém pra dividir a casa \"fosse homem ou mulher, qualquer pessoa\". Eu a amo profundamente, tenho vontade de ficar lá pra sempre, de fazer companhia, de fazê-la rir. Não consigo dizer não pra qualquer coisa que me pede. Essa é a parte bonita, que não preciso confessar.

… mas ela também é linda, incrível. Tem olhos quentes, um jeito que me deixa hipnotizada, completamente entregue. Quando muito perto, quando sorri, é inevitável a vontade de lhe dar um beijo, vontade que tranco a sete chaves, que me entristece, me sufoca.

Confesso que ainda sou completamente apaixonada. Mesmo depois de 4 anos, depois de tudo, depois de eu ter amadurecido, ter enxergado a vida com outros olhos, meu amor continua o mesmo.

To fudida, né?

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Escrito por Anônimo

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