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Compulsão sexual e tripla personalidade

Eu confesso que sou compulsivo sexual virtual.

Tudo começou há uns 10 anos, quando eu me sentindo frustado em uma vida sexual morna, via as oportunidades passarem e deixava de aproveitar. Quantas foram as cantadas que eu recebi, mas por fidelidade, timidez, excesso de respeito e um pouco de medo eu recusava no mundo real.

Essa fuga me fez criar um mundo paralelo, fantástico, onde as mulheres que me abordavam eu possuía todas elas, de todas as formas, do jeito que eu desejei, na casa, na minha cama, em longas seções de masturbação.
O fato de eu ter negado as ocasiões, me deprimia, me incomodava, um tesão vinha junto ao arrependimento e por muitas vezes eu me pegava imaginando a mesma cena como se eu tivesse tomado outra decisão.

Passei então a visualizar todos os detalhes das situações em que poderia ter tido prazer. As pessoas eram reais, então eu poderia imaginá-las por completo, apenas despindo-as, ou quando não apenas idealizando suas formas. Os locais eram reais, pois estive em todos, podia então se lembrar dos cheiros, das cores, das texturas, dos sons, o sexo era apenas um detalhe e criá-lo era fácil para uma mente suja e criativa como a minha.

Resolvi escrever uma das histórias, contei como se eu tivesse comido a minha colega de trabalho, que eu dei carona e acabei me esquivando de levá-la a um motel.
Mas quando eu escrevi, eu não negava e eu a comia.

Transávamos como loucos e eu gozei muito com base neste relato. Quando terminei, estava tudo ali. Como se realmente tivesse acontecido, eu podia me lembrar como se fosse complentamente real. E era! Sem querer escrevi meu primeiro conto erótico.

Cheguei a publicá-lo em um site famoso e pessoas comentavam sobre o que eu tinha escrito. Me empolguei.
Passei a escrever todas as minhas fantasias, passadas ou presentes. Escrevi sobre as minhas primeiras namoradas, empregadas da casa dos meus pais, as tias que eu vi pelada, vizinhas que sonhei em comer, e passei a olhar para as pessoas que estava em minha volta, a secretária da firma, as meninas que faziam faxina na sala, minhas colegas de trabalho, minha cunhada, sogra e por ai foi indo. Não tinha fim.

Escrevi dezenas de contos eróticos, e publiquei. E se tornou um hobby bem gostoso. Eu me masturbava durante a escrita, pois eu lembrava das cenas e parecia estar lá. E sei que muita gente bateu punheta lendo esses textos também. Eu estava promovendo a luxúria digital.
As pessoas passaram a me escrever, me elogiavam, me parabenizavam e alguns inclusive me pediram para escrever a “história” que eles queriam ter realizado. Estava em plena ascensão.

Minha mente então passou a focar nisso. Eu conseguia criar situações a qual eu nem estava presente. Eu fantasiava com mulheres que eu nem conhecia. Eu as inventava por inteiro. Cor dos cabelos, tom de voz, cheiro do pescoço, cor e tamanho dos mamilos, sardas, olhos, eu podia até sentir o gostinho de sua saliva em meus devaneios. Quantas vezes eu gozei apenas com estes pensamentos? Que insano!

Tornei-me um escritor de contos eróticos, criava os personagens, os locais, e fantasias loucas: Uma deficiente física, uma coroa safada, uma pedinte, uma velhota da igreja. Até que resolvi entrar no conto como coadjuvante e inventar o conto ao inverso:

Me imaginei como a mulher da história, e escrevi como segunda pessoa, me colocando no lugar dela. Com isso criei uma dupla personalidade em mim. Eu imaginava como seria o sexo através dos olhos de uma mulher. A sensibilidade, o carinho, as carícias, a paixão. Uma visão bem diferente da masculina.

Criei então a “Alana”, minha musa. Ela tinha email, conta no Orkut, no MSN, e até fotos no seu perfil. A Alana se transformava na diva de cada conto feminino. E pelo jeito ela fez mais sucesso que eu. O nome Alana veio por ser parecido com o meu, e se eu fosse escolher um nome feminino seria este: Alana!

Recebi muito mais e-mails dos contos escritos pela “Alana”, dos que dos meus. Os homens escreviam mensagens obscenas, me mandavam fotos de seus pênis, me elogiavam e imploravam pelo meu sexo e por mais fotos ousadas. Um em especial se tornou um “romance” da Alana. Conversávamos horas no msn.

Até que resolvi apimentar a relação e tornei a Alana Bissexual. Criei então a “Ângela”, sua melhor amiga que já tinha tendências lésbicas e a trouxe para o mundo homossexual.

Este conto chegou a ser um dos mais votados do site que eu publicava. Eu chegava a criar emails falsos de conversas entre as duas. Loucura pura! Criei então uma conta do Facebook da Ângela, com fotos falsas, e me inscrevi em várias comunidades lésbicas e bissexuais. Até da marcha das vadias a Ângela “participou”.

Neste tempo as minhas fantasias foram compartilhadas com pessoas que se identificaram com elas. Por exemplo, escrevi dois contos eróticos com deficientes físicas, e uma garota que se dizia “amputada” veio a minha procura, que vou chamá-la de S…

A S. elogiou minha coragem e disse sofrer preconceito por ter uma perna só. Mas que era bem safada.

Passamos a nos corresponder, e de conselhos amorosos, passamos a conversas picantes, mas ela sempre se esquivava por ser comprometida.

Surgia então em mim o desejo por uma musa real, era como se minha fantasia se personificasse do outro lado da tela. Eu inventei uma mulher e ela me procurou. A S… era de carne e osso. Mas não confiava no meu papo e cada vez que eu jogava uma indireta de estava carente e desejando uma mulher como ela, recebia um fora.
Resolvi fingir estar namorando também e apresentei minha “namorada” a ela, a Alana. Forjei fotografias no photoshop, incluindo a minha foto com uma garota do Orkut que nem conhecia e mandei.

A Alana então ficou amiga da S…, trocavam figurinhas, conversava sobre sexo de forma tão natural que eu comecei a pensar como menina. Adorava debater sobre sexo anal e oral com a S…

Resolvi contar que era Bi, e ela por curiosidade foi se chegando, mandei fotos minhas (da “Alana”) sem roupa, com o dedinho na xota e pegando nos peitos. Recebi fotos dela também. Me senti mal nesse dia, eu havia chegado ao cúmulo de enganar uma inocente e conseguir me aproveitar dela.

Estava consumado. Eu me aproveitara de uma garota, me passando por outra. Como gozei com as fotos da morena: seios pequenos com mamilos bem enrugadinhos, bucetinha depilada, boca carnuda, olhos amendoados. Nem me lembrava de seu “problema” na perna, eu comeria ela toda.

Entre conversas e outras o romance hétero da Alana fora ganhando corpo. Um admirador do Ceará, vou chamá de P… me escrevia poesias, me mandava músicas, me mandou o número de telefone e me pediu pra ligar pra ele, me implorou para ir visitá-lo e ficar em sua casa. Estava ficando fora de controle.

Cheguei a me questionar se eu estava tendo desejos homossexuais, mas não era eu que queria transar com o P…, era a Alana, ela era ninfomaníaca. E logo começaram os chats eróticos, fiz sexo virtual com o P… como Alana, com a S… como mulher, como Alana, como eu mesmo, depois da Alana a convencê-la em se exibir para mim e até uma suruba virtual eu fiz, logando como Alana e como eu mesmo e fingindo transar com a S….

Houve alguns casos esporádicos de pequenos chats com leitores. Cansei de me masturbar até no trabalho nessa época.

Minha vida estava um caos, eu vivia praticamente por aquilo, me consumia, eu respondia dezenas de e-mails todo dia. Ficava batendo papo com meus “amigos” sexuais o dia todo. Meu trabalho foi acumulando, não tinha mais vontade de ver meus amigos de perto, só queria me conectar e falar pornografia.

E quanto mais eu conversava, mais inspiração eu tinha e desta fase saíram novos contos, alguns até com as pessoas que eu estava conhecendo.

Surge então a L…, uma garota que leu um dos meus contos sobre uma cadeirante e disse ser deficiente física. Uma pessoa bem instruída, formada em psicologia, trabalhava numa empresa do governo, tinha carro adaptado, apartamento na praia, viagens pela Europa e tudo mais. O papo com ela era ótimo, conversávamos sobre tudo e principalmente sexo.

Ela tinha uma forma de me fazer sentir de fato que estávamos fazendo sexo, mesmo com suas limitações.

A Ângela foi se relacionando no Facebook, tinha várias amigas, algumas confidentes, garotas que contavam sua vida e a Ângela como “mais velha” (a criei como uma coroa mesmo), dava conselho as meninas sapatas novinhas. Mas os papinhos caiam em sexo virtual. Várias “amigas” do Facebook bateram papo comigo, descrevendo seu corpo e se imaginando sendo devorada pela Ângela. Como batia punheta nessa época imaginando as novinhas lésbicas.

A Alana também ficava num jogo de gato e rato com o P…, ele passou a ser meu amigo cafajeste, me contando suas aventuras e eu o aconselhando. Fora os outros fãs.

Eu estava até convencendo a S… a se mudar para São Paulo para virar minha amante, e eu nem morava lá. A danada da L… me mandava e-mails amorosos, e juro que se eu não tivesse tão enfiado numa mentira tão grande eu teria me entregue a ela de verdade. Eu fiquei realmente apaixonado pela L… Sentia falta de suas conversas e ficava com remorso de estar mentindo.

Eu estava no auge da minha loucura. Meus arquivos recentes no computador eram apenas chats e contos eróticos. Dormia mal e ao andar na rua parecia que as pessoas sabiam que eu estava mentindo. Um dia quase fui pego com meu cacete na mão pela assistente do escritório em uma seção de masturbação no trabalho. Já pensou se eu perco meu emprego por causa disto?

A S… disse estar confusa de sua sexualidade por ter ficado interessada na Alana e acabou o namoro. Depois que eu disse não poder ajuda-la ela disse estar com depressão e fiquei péssimo. Eu causei um transtorno na vida da menina.

A L… conversava comigo sobre seus problemas familiares e dizia chegar a chorar. Eu eu só pensava em sexo. Eu passei a ficar com vergonha da L… e não conseguia mais fazer nada.

Resolvi me confessar com a L…, mas para isso contei outra mentira, dizendo que mentira anterior e praticamente contando esta história relatada aqui. Ela ficou uma fera, brigou muito comigo, disse não ter escrúpulos e ser um ser horrível.

Ela me aconselhou a contar tudo a todos. Mas não tenho coragem de me expor de vez.

Mandei um email a todos os envolvidos, dizendo de toda a mentira, inclusive para a própria L….cancelei as contas dos personagens e bloqueei no meu email e no msn as pessoas daquela época.

Resolvi confessar aqui de forma a colocar uma pedra em cima de tudo e tentar olhar para frente e tentar encarar a vida real.

Fico com pena de não poder mais fazer sexo com a S… e a L… virtualmente, sinto muita falta mesmo. Mas acho que tenho que tratar essa minha compulsão.

Tenho cerca de 50 GB de pornografia acumulada desde então e estou prestes a deletar tudo para não cair em tentação de novo.

Obrigado a quem pôde ler todo o texto longo.

Abraço

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Escrito por Anônimo

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