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Confesso que enjoou de meus relacionamentos :/

Eu confesso que enjoou das pessoas e de meus relacionamentos! Prezados(as), espero com esse texto ajudar e, sobretudo, ser ajudado. Penso que situações involuntárias, as quais não temos o devido controle, são as mais difíceis de resolver, por isso, tive coragem de expor um retrato de minha vida aqui, para ver se alguém tem a compaixão de me ajudar.
Primeiramente gostaria de dizer que sou gay, acho essa afirmação completamente dispensável, afinal, quando falamos em amor e sentimentos, não se escolhe gênero, apenas ama-se, mas para compreensão melhor do todo, penso que vale o destaque. Portanto, vamos ao assunto!
Tenho 25 anos, sou graduado, visto pela maioria como inteligente, atraente e bonito, não sou afeminado (nada contra estes), e poucas pessoas sabem de minha orientação sexual. Meus primeiros relacionamentos foram com meninas, afinal, a fase de descoberta e aceitação é longa e passamos determinado tempo cumprindo os papéis sociais que nos foram impostos. Comecei a namorar aos 15 anos com uma menina de igual idade, do mesmo bairro e colégio. Foi um namoro experimental, muito beijo e amasso, coisa de adolescente. Mas, o mesmo, não durou 3 meses. Depois conheci a menina que julgava ser o grande amor de minha vida, inclusive a que poderia afastar de mim a condição de homossexual, até porque naquela época eu ainda não aceitava esta condição. Tivemos várias idas e voltas, uma história em torno de 5 anos, mas que infelizmente não deu certo. No fundo eu compreendia que minha orientação sexual era o grande pivô de meus relacionamentos infrutíferos. Era como se eu conseguisse conquistas as meninas, mas sabia que no fundo eu não pudesse fazê-las felizes de verdade.
Na casa dos 20, fui tomando coragem e aceitando minha condição homossexual. No começo foi muito difícil superar meus próprios preconceitos, além de encontrar pessoas mais sérias, que não gostassem tanto de exposição, afinal, vivo numa cidade do interior e o preconceito ainda é muito latente. Para aceitar a minha nova condição sexual entre outros problemas, comecei a fazer terapia. Minha psicóloga foi fundamental, pois por meio dela percebi que ser gay não implicaria em praticamente nada em minha vida social, visto que o que eu fazia em 4 paredes diz respeito apenas a mim e meu parceiro. Como nunca fui muito fã de “pegação”, disse a ela que gostaria de encontrar alguém com meu perfil, que curtisse o mesmo estilo de música, o estilo de vida, e que se assim achasse, teria coragem de começar uma nova história, mais verdadeira e autêntica.
Pois bem, meu desejo se tornou realidade. Com pouco tempo aceitando minha homossexualidade, conheci um rapaz lindo, meigo, inteligente, bem sucedido, e que estava em busca do mesmo que eu. Foi amor à primeira vista. Tínhamos formação acadêmica e religiosa semelhantes, idades compatível, embora a condição financeira dele fosse superior a minha, não era nada de discrepante. Eu encontrei o verdadeiro príncipe e assim tive coragem de enfrentar meus pais, apresentá-lo a minha mãe, que por sinal o adora, e peitar meu pai, que se recusa a falar no assunto. De qualquer forma, o que senti por ele foi tão forte e intenso que me fez ter coragem de me afastar de praticamente todos os amigos, peitar meus pais e viver minha sexualidade sem amarras. Começamos a viver num mundo apenas nosso, com poucas ou quase nenhumas interferências.
Sim, temos algumas incompatibilidades. Ele é mais introspectivo, eu sou mais expansivo, ele gosta de curtir um show sentado, eu prefiro um abadá de carnaval, mas para mim, tudo em um relacionamento é negociável. Confesso que entrei na relação com todo amor e afeto que eu tinha pra dar, não é atoa que sempre repetia a célebre frase de Nando Reis para ele: “pra você guardei o amor que nunca soube dar”. Vivemos 5 meses de muita intensidade. Só nós dois. Durante este período, ele decidiu comprar o apartamento dele, queria sair da casa dos pais e ter um lugar para nós. Ajudei na escolha do imóvel, estou participando de todo projeto de arquitetura, justamente para que o ambiente tenha a “nossa cara”, de fato, vivíamos em um conto de fadas, ou melhor, de duendes, até que minha inconstância começou a pôr em risco todo esse encantamento.
No começo foi apenas um frisson, um repente me questionando tudo aquilo que passava agora em minha vida. Ser gay, estar prestes a morar com um homem, deixar de ser aquele rapaz admirado pelas meninas, pela beleza, inteligência, porte físico, enfim […] Passou. Com mais um tempo, essa sensação começou a se tornar angústia. Meu namorado é muito sensível, ao passo que é amoroso. Me liga diariamente, manda mensagem de amor pelo menos 2 vezes em cada turno e só dorme depois de meu boa noite, seja este pessoalmente ou via fone. Nós malhamos juntos, todos os dias, e a toda oportunidade ele me elogia, diz me amar e todas aquelas coisas que pessoas apaixonadas fazem.
Confesso que no começo achava isso lindo, maravilhoso e tentava corresponder, pois era o que eu também sentia. Ele é mais bem sucedido que eu, além de considera-lo tão ou mais bonito que eu, mas comecei a cansar de sua presença e elogios. Culpei de pronto meu signo. – Ah, isso é coisa de geminiano! Essa inconstância vai passar, mas infelizmente ela tem se transformado em angústia, ao ponto de me deixar com sensação de sufocamento. É como se o fato de eu ter que ligar, dar atenção, corresponder aos tantos mimos que recebo me deixasse ainda mais enjoado. Suportei isso em silêncio por uns 5 dias, mas chegou um momento que não dava mais, tive que expor para ele, que se magoou profundamente. Busquei palavras, formas e todo traquejo linguístico necessário para dizer que estou me sentindo angustiado, sufocado, ele chorou, e começou a se culpar.
Gente, estou realmente mal com isso. Não sou de ficar sofrendo, mas isso está me destruindo, pois vejo uma história que tem tudo pra dar certo ir para o ralo.
Eu aceito que tal circunstância ocorresse com as garotas que eu namorava, afinal por sentir que era gay, sabia que existia algo que não daria certo, mas sentir essa angústia, enjoou e fadiga de um cara lindo, amável, carinhoso, atencioso e que faz TUDO por mim, eu não aceito! Nós estamos conversando, tenho dito para ele que trata-se de uma fase, mas essa circunstância tem feito eu questionar o meu amor. Poxa, como que se ama alguém e enjoa dela em apenas 6 meses, é possível? O que fazer para reascender a chama dos primeiros meses? O que dizer nestes momentos? Não, não quero abrir mão desse relacionamento, não quero ceder uma vida e um futuro lindo por uma insegurança. Já marquei novamente consultas com minha terapeuta, afim de tentar encontrar uma solução, mas quanto a vocês, o que podem me dizer? Afirmo que isso é involuntário, não quero usar as pessoas e descarta-las, acredito no amor delas por mim e sei que nalgum momento também as amei, mas por alguma circunstância que não consigo precisar, este amor está perdido, seja no meu inconsciente ou em minha inexperiência. Por amor/favor, me ajudem!

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Escrito por Anônimo

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