Eu confesso que não sou nada do que as pessoas dizem que eu seja. Confesso que molestei um garoto por um desejo sexual incessante e horrendo. Confesso que sinto vergonha que demonstrar meus sentimentos. Confesso que sempre que eu era molestada eu sentia como se aquilo alimentasse meu desejo sexual. Confesso que já desejei a morte de meus familiares, que mesmo não sendo tão atentos são esforçados e só querem o melhor pra mim. Confesso que quando choro nem sei exatamente o por quê, só tenho certeza de que meu coração doi demais e que eu tenho vontade de arranca-lo do peito para cessar a dor. Confesso que sou covarde diante as pessoas, não assumo todos os meus erros e nem assumo minhas responsabilidade. Confesso que sou um monstro que maltrata a mãe que tanto ama. Confesso que minha familia para mim é algo estranho, desconhecido, eu não me lembro de nada, não me lembro de nada… Confesso que já roubei por vingança. Confesso que já tentei fugir de casa. Confesso que gostaria de ter um pai. Confesso que já tentei me matar. Confesso que já pôs a vida de todos em perigo. Confesso que já muita coisa errada. Confesso que sinto certa saudade e odio da pessoa que me molestava, ela era a unica a me dar atenção. Confesso que sou uma menina problematica, triste, de treze anos. Confesso que gostaria de ser a melhor em tudo. Confesso que invejo minhas melhores amigas. Confesso que já gostei de um garoto e o machuquei. Confesso que mesmo sendo a segunda melhor aluna da sala e com todo o credito que me atribuem eu gostaria que minha mãe valoriza-se isso. Confesso que minha carreira de escritora não tem rumo, mesmo com meus professores me incentivando dizendo o quanto sou talentosa. Confesso que não aguento ficar presa, limitada a só martirizações; queria sair me libertar, viver, recompor meu ser e tentar relevar o que fiz, pois eu nunca me perdoei.

