Confesso que não aguento ser o unico a ter de compreender, confesso que essa sensação de solidão me torna cada vez solitário, confesso que nao tenho paciencia com os outros, confesso que todas obrigações sociais me são penosas, confesso que tenho grande dificuldade em lidar com resignação e falsa alegria, confesso que sorrisos amarelos são mais feios que pinturas de arte moderna, confesso que não tenho com quem falar, apesar de estar sempre disponivel a ouvir, esposa, mãe, amigos, e confesso que talvez não receba a mesma consideração que dispenso aos outros. confesso que minhas angustias são sempre sem sentido diante dos outros, confesso que a dor do outro me é apresentada sempre como dor doida, confesso que nisso tudo parece que não sou nada, o nada não esquecido

