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Confissões de um belo, triste e doente desistente.

Eu confesso que sou bonito. Sim, sou atraente. Atraio olhares de mulheres e homens. Por trás de um semblante esguio, belo e um tanto aristocrata ninguém imagina o que carrego. Sou soropositivo há 8 anos. Sim, descobri que sou portador do vírus da AIDS de uma maneira sórdida e perversa. Foi no leito de quase morte, após semanas em coma, decorrente de uma cerebrite, fui informado pelo médico da minha condição – após renascer para avida. A minha família, de classe média alta, já sabia de tudo. Por toda a situação, da internação às pressas, eles ficaram sabendo até mesmo antes do que eu – que não tinha ideia o que me levava àquelas dores de cabeça nos últimos dias. Uma comoção tomou conta de todos, que não sabiam como lidar com uma situação que poderia ser bem distante para a realidade de todos – ou pelo menos a realidade que eles acreditavam ser coerente ao contexto de educação e posição social que eles criaram os filhos. Sim, sou gay. Até aí, depois de muita luta e superação de barreiras a família aceitou – claro, com dor e ressalvas. Agora, para eles surgia um adendo mais desagradável nesta história de incômodos: além de gay, aidético. Não demorou muito para o meu namorado, que estava comigo fazia cinco anos, pular fora da relação. Perdi a única proteção que acreditava ser legítima. Levantei a cabeça, voltei a trabalhar e a me relacionar. Estabeleci uma nova relação, me apaixonei novamente. Depois destes 8 anos tive um novo diagnóstico: câncer. Será possível? Não é muita carga para um ser humano só? Estou lutando a cada minuto da minha vida, mas estou cansado. Sim, continuo bonito. E ninguém sabe o que se passa comigo, com meu corpo, com minha saúde. Aos que sabem agora do meu câncer se compadecem e estendem a mão. Mas muitos não sabem o que carrego além disso, por simples defesa e proteção que tenho que ter realmente. A vida é dura. E eu continuo cansado. Quase desistente.

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Escrito por Anônimo

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