Eu confesso que eu e meu marido nos tornamos amigos de um casal jovem como nós, na faixa de 23 a 28 anos. Passamos a sair juntos com frequência, indo restaurantes, pelo menos uma vez por semana.
Dizem que sou bonita e sensual. Por isso me preocupo em me vestir sempre com discrição, para não chamar a atenção de ninguém.
Em nossos encontros, percebi que o marido de minha amiga me observava com olhares que revelavam que eu o estava atraindo. Não eram olhares maliciosos, mas involuntários. Eu percebia que ele não conseguia se controlar e procurava policiar-se para que não acontecessem. Em vão, porque quando menos esperava ele estava me observando. Mas como ele mantinha sempre um elevado nível de respeito, nunca dei maior importância.
Na verdade, eu gostava daqueles olhares, em razão da vaidade de uma mulher de sentir-se desejada.
Eu não conseguia perceber o quanto inconscientemente eles estavam me afetando. Até que certo dia tomei conhecimento de que ele se envolvera em um grave acidente. Comecei a chorar desesperadamente e só aí percebi que eu me apaixonara por ele.
Logo depois, fiquei sabendo que ele saíra ileso, sem ter sofrido nada de grave.
Não resisti e lhe escrevi uma carta anônima, declarando-me apaixonada, mas que seria uma paixão proibida e impossível por razões que eu não podia revelar.
Não sei como, mas a primeira vez que saímos novamente juntos para jantar, intuitivamente notei que ele percebera de quem era aquela carta anônima. Fiquei envergonhada, mas mantivemos o mesmo nível respeitoso de relacionamento.
Ele foi elegante comigo e com meu marido e agiu como se nada estivesse acontecendo. Mas eu mal conseguia me controlar, sem saber como agir e como me comportar.
Saímos para jantar mais algumas vezes. Em uma delas, eu bebi um pouco mais. Quando ele saiu para ir ao sanitário no restaurante, que ficava ao fim de um corredor, eu me levantei dirigindo-me também ao toalete e fiquei esperando que ele voltasse. Eu estava tocada pela bebida. Quando ele voltou, eu me aproximei e sem que ele pudesse prever, o abracei e o beijei.
Ele só disse: “eu também quero, mas não podemos fazer isso, por respeito a seu marido e à minha mulher”.
Ao chegarmos à mesa, tanto meu marido, como minha amiga, perceberam a mancha de batom em sua boca. Mancha da cor do batom que eu estava usando.
Imediatamente, eles pediram a conta e silenciosamente, disseram que deveríamos ir direto para nossas casas.
Fiquei apavorada, mas ao chegar em casa consegui deixar meu marido inseguro com relação ao que ele estava imaginando. Não ficamos bem, mas ele teve que se conformar, por não ter certeza do que estava supondo.
No dia seguinte, nosso amigo me telefonou e disse que sua mulher de nada se convencera e que o abandonara, dizendo que não mais queria vê-lo e nem ter qualquer relacionamento comigo, pois passara a me odiar.
Fiquei chateada por tudo e inconformada por ter causado a separação, sem que nosso amigo tivesse qualquer responsabilidade no que acontecera.
Mas, o pior é que, na mesma ligação, ele sem saber que eu havia me conciliado com meu marido, disse que com aquele beijo, eu demonstrara que também o queria. Com isso, era aquela a real oportunidade para que fôssemos morar juntos e que não deveríamos perder aquela oportunidade.
Eu, atordoada, disse que teria que desligar naquele momento, mas retornaria assim que possível para continuarmos a conversar.
Estou com um verdadeiro dilema, sem saber que decisão que tomo.
Por favor, me ajudem.

