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Covardia

Ultimamente ando sentindo uma curiosa emoção, algo que gostaria de trazer para os olhos de leitores. Algo que gostaria de compartilhar com você.

Ao assistir filmes, músicas ou quaisquer retratos de momentos românticos, engraçados e felizes, vejo esse sentimento se ressuscitando em meu imaginário. Principalmente quando tais momentos são retratados na adolescência. Essa emoção me conecta a vários outros pensamentos e também emoções, momentos retratados como reais apenas em meu imaginário, coisas que me emocionam.

Essa emoção aparece em mim quando vejo alguns dos momentos que citei terem sido representados em uma época distante do meu presente, como um filme antigo que retrata o romance de dois jovens, por exemplo. Sinto como se eu já tivesse vivido os momentos retratados neste filme, e no momento estivesse tendo que lidar em aceitar o meu passado. Isso não tem sentindo, é um passado imaginário, é um passado no qual não fiz parte.

Escrevendo esse texto, nesse momento me dei conta dos motivos pelo qual essa emoção possa estar ocorrendo. Talvez eu não consiga encarar a minha falta de oportunidades em ter uma vida social instável, então crio momentos felizes e afirmo estarem no passado.

Afirmo estarem em um tempo distante e sem a possibilidade de reversão, pois pareço querer não aceitar a minha vida e pareço culpar o tempo pelo fato de eu não conseguir mudar o meu jeito de ser. Então prefiro criar momentos felizes, e simplismente abandonar eles no passado, pois pareço não conseguir lidar com a possibilidade de novos momentos ou até mesmo de regressar. Já sei o que se passa! estou com anseio do meu futuro e estou colocandoo a possibilidade de ser feliz totalmente distante do meu presente, estou tornando a possibilidade de ser feliz na minha adolescência como algo extinto e estou realmente perdendo a minha adolescência pouco a pouco. Isso é o que me amedronta, deixar de ser um adolescente e deixar de ter a oportunidade de viver aventuras sociais, como romances intensos, por exemplo.

Essa emoção vem acompanhada de uma autocrítica que faço a respeito de minha covardia durante a minha adolescência, como se eu já fosse um adulto. Me sinto como um adulto analisando e reprovando as minhas atitudes durante a adolescência, justamente porque prefiro reprovar momentos que sei que não terão possibilidade de reversão. Então prefiro me arrepender na fase adulta, pois não terei que reviver momentos ruins, mesmo reprovando a minha falta de coragem. Isso dá a impressão de que penso como um adulto, pois quero fugir da minha adolescência estando nela e desejo tornar a minha biografia como uma tragédia e culpar minha adolescência por isso.

Recentemente senti uma emoção na qual eu tinha medo de me tornar um adulto me recordando de meu passado, aprisionado nas consequências de meus atos. Isso é exatamente o que estou fazendo, pois estou com receio de ter um passado irreversível e ao mesmo sinto medo de enfrentar o meu regenerável presente. Ao mesmo tempo que abandono minha felicidade e a torno inacessível, me iludo com o meu futuro, mas não consigo me imaginar lidando com ele. Isso é algo não muito lógico, mas tem haver com o que eu sinto.

Percebi que não consigo aceitar que algumas de minhas derrotas, então crio um tempo imaginário, apenas para culpar a minha falta de atitudes. A criação de uma emoção silencia a minha falta de autonomia.

Precisei usufruir de todas essas palavras apenas para me dar conta de um sentimento. A covardia.

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Escrito por Anônimo

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