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AMOAMO

Crentinha 01 – Julgando eu mesma!

              

Branquinha, baixinha do bumbum redondinho.  

Segue uma reflexão que quase me tirou desse site!

      Aqui estou eu, na escuridão luminosa da tela, onde ninguém conhece meu nome real, onde o julgamento não me alcança. Ou, pelo menos, é o que eu espero. Minha mão treme um pouco sobre o teclado, mas o desejo de expor essa parte de mim, essa que eu escondo até de Deus, é mais forte. Eu sou uma mulher de fé, uma serva, uma esposa. Meu marido é um homem bom, trabalhador, um exemplo. Nunca, jamais, eu o trairia. A ideia me repugna. Mas a mente… Ah, a mente é um território sem cercas, um campo fértil para as sementes mais profanas.

               Desde menina, lembro-me de um estranho anseio. Não por príncipes encantados, mas por homens mais velhos, com mãos calejadas e olhares que prometiam uma autoridade que eu, no meu recato, jamais deveria desejar. Eles pareciam saber segredos, carregar pesos que me atraíam inexplicavelmente. E a fantasia, essa serpente sibilante, se enroscava em torno de uma imagem específica: eu, de joelhos, com a cabeça baixa, uma coleira fina em meu pescoço. Não uma de couro, pesada, mas algo delicado, quase invisível, que me ligava a eles.

               Minha boca de menininha, que recitava versículos e canta hinos, em meus devaneios, se tornava outra coisa. Ela se abria, não para louvar, mas para receber, para envolver o membro de um desses homens maduros. A ideia de sentir aquela carne pulsando contra meus lábios, o cheiro áspero de um corpo masculino mais velho, a textura rugosa da pele, o gosto… O sabor daquele poder. Eu imaginava o som úmido, o gosto suave enquanto minha língua trabalhava, subindo e descendo, o ar escapando dos meus pulmões em suspiros contidos. Os olhos deles fixos em mim, talvez um sorriso cruel nos lábios, enquanto eu me entregava completamente, sem pudor, sem vergonha, apenas obediência.

               É uma contradição tão gritante com a vida que levo. Durante o dia, sou a esposa devota, a irmã em Cristo, a que serve no altar. À noite, quando a casa silencia e meu marido dorme ao meu lado, as imagens vêm. Vejo um homem de cabelos grisalhos, talvez um pastor ou um empresário da igreja, me puxando suavemente pela coleira até seus quadris. Sinto o calor que irradia dele, o volume pesado e duro roçando meu queixo. Eu desço, sem hesitação, e minha boca se abre para o receber, a ponta da língua explorando a cabeça úmida e gotejante. O cheiro de homem e excitação, o sabor salgado, a pulsação vibrando contra meu palato. Meus lábios apertam, meu rosto se move para cima e para baixo, um ritmo que não controlo, apenas obedeço. Ele gemeria, talvez me puxasse pelos cabelos. O som gutural que ele faria, o arfar pesado, a ereção crescendo e endurecendo mais e mais em minha garganta.

               Eu mordo o lábio para conter um gemido real, um que escaparia do meu corpo físico e talvez despertasse meu marido. Mas a fantasia continua, aprofunda-se. Sinto o pre-gozo escorrendo pela haste, o sabor metálico e doce na minha língua. A imagem dele, com o rosto contraído de prazer, os olhos semicerrados. Eu o serviria até o fim, até sentir o jorro quente encher minha boca, a cada espasmo. Engoliria tudo, limpando cada gota com a língua, mostrando minha devoção.

               E então, o choque de realidade. O monitor reflete meu rosto, iluminado pela tela, os olhos arregalados, a respiração ofegante. A culpa, um peso frio, se instala no meu peito. Como posso ser tão suja? Como posso abrigar tais pensamentos? Mas por um breve momento, nessas fantasias proibidas, eu me sinto livre, poderosa, e completamente eu. E é por isso que continuo voltando a elas, na escuridão, neste canto secreto da internet, onde a crentinha pode ser, por alguns minutos, a pecadora que não me permitiria ser.

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Escrito por Crentinha

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11 Comentários

  1. Sua escrita é ótima! Um texto fluido e muito bem construído. Fica claro que você é uma pessoa de nível intelectual elevado. Entretanto, você encerra seu texto se achando suja. Meu conselho: abandone esses conceitos. Você não é suja; é apenas uma mulher normal e saudável que tem desejos normais e saudáveis. Permita-se. Não há nada de errado nisso. Exercer sua sexualidade não ofende a Deus.

  2. Primeiramente parabéns, um texto muito bem escrito, elementos que ligam muitos bem uma ideia a outra e nós envolvem na leitura.
    Aliás, as palavras pouco comuns inclusive em muitos livros escritos hoje em dia mostra que você é uma leitora, ninguém escreve tão bem ser ser uma leitora.
    Não quero fazer você deixar de acreditar em Deus, nada disso.
    Mas o deus pregado pela religião sobretudo pelas ditas igrejas cristãs, é o deus cujo único interesse é manter os poderosos no poder, esse deus foi a forma desses poderosos manterem seus súditos fiéis, o controle sobretudo em relação ao corpo da mulher a manteve como serva submissa enquanto esses poderosos sempre fizeram o que quiseram contanto com a remissão dos pecados pelo seu deus caridoso do leito de morte.
    Jesus, nunca escreveu nenhuma regra detalhando como as pessoas como viver seus relacionamentos ou sua sexualidade, ele se interessava em ajudar, os pobres, as prostitutas, os ladrões, e todos os oprimidos, hoje ele seria facilmente tratado como um mero comunista, porque os poderosos líderes religiosos não tem interesse em contribuir para a solução desses problemas, eles querem controlar as pessoas e só isso.
    Também cresci em igreja e consigo te entender.
    Liberte-se dessas amarras.
    Você sem o que o corpo não controla e o coração não consegue explicar, não tem nada de errado nisso.

    Se quiser conversar
    Pode me char aqui no PV ou no e-mail
    [email protected]

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Crentinha de Volta 😘

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