Eu tinha completado quatorze anos a poucos dias, a sensualidade, o erotismo brotavam pelos poros de uma forma desordenada, eu ainda não havia experimentado a masturbação, sentia medo. No colégio eu flertava como uma garota linda chamava-se Ivone, que estudava comigo na mesma turma, mas não passava de uma troca de olhares, eu me sentia tímido, não sabia como me aproximar mais dela e não sabia o eu ia lhe dizer. Certo dia a professora me chamou ao quadro negro para completar um exercício que estava sendo feito coletivamente, na volta para minha mesa olhei para Ivone, chamou a minha atenção as suas unhas um tanto compridas com um esmalte rosa muito chamativo, eu gostei, ela me deu um leve sorriso e eu correspondi. Em casa após o almoço minha mãe disse-me que tinha uma consulta marcada com o médico e depois iria sair com uma sua amiga para fazer compras e voltaria só para o jantar, a nossa empregada depois de deixar tudo pronto para o jantar também teve que sair mais cedo, minha irmã, mais velha que eu quatro anos disse que iria estudar na casa de uma amiga nossa vizinha a tarde toda e depois iriam para curso preparatório para o vestibular e voltaria tarde. Meu pai estava viajando a negócios e voltaria só no fim de semana. Eu me achava só em casa, sem saber o que fazer além de ter que fazer as lições de casa. Fui então ao quarto ao lado de minha irmã até a penteadeira, sobre ela estavam vários potes de cremes, batons, e uma coleção de vidrinhos de esmaltes da moda de diversos tons. Peguei o vermelho vivo, o vidro de acetona, e o estojo de manicure e levei para o meu quarto. Eu por várias vezes havia prestado a atenção de como minha irmã fazia ela mesma suas unhas das mãos e dos pés, ela sabia bem com fazer, na última vez quase pedi que ela também pintasse as minhas unhas, mas me contive, não pedi, ela deve ter percebido o meu interesse ultimamente em vê-la pintando as suas unhas e eu estava esperando que ela perguntasse se eu queria que ela pintasse as minhas também, mas ela não perguntou nada. Tirei o meu tênis a meia e comecei a lixar as unhas dos pés e com o alicate retirar as cutículas com todo cuidado comecei a pintar com capricho as unhas do pé direito, em seguida fiz o mesmo com as unhas do pé esquerdo, descalço voltei ao quarto da minha irmã e peguei um par de sandálias rasteiras de dedo prateadas e calcei-as, ficaram lindas no meu pé, as unhas recém feitas brilhavam. Sentei-me novamente na cama e comecei lixar e tirar as cutículas das unhas das mãos para depois com o mesmo capricho pintá-las com aquele esmalte vermelhão. Então resolvi a começar a fazer a lição de casa, mas não conseguia prestar atenção, cada vez que escrevia ou lia parava para admirar as minhas unhas vermelhas e volta e meia olhava para os meus pés, aí que eu percebi como as minhas mãos e meus pés eram iguais aos da minha irmã, pareciam que eram dela, ainda mais com aquelas sandálias. O tempo foi passando e me assustei ao ver o relógio, minha mãe podia chegar a qualquer momento e que seria de mim se ela me visse com as unhas pintadas. Não tive alternativa senão pegar o chumaço de algodão molhá-lo no removedor e muito contrariado comecei a tirar o esmalte das unhas que estavam tão lindas, não tirei o esmalte das unhas dos pés, calcei as meias e o meu tênis e não demorou muito para a minha mãe chegar, mas antes eu tive que abrir bem a janela do meu quarto e ligar o ventilador para que não houvesse cheiro de esmalte nem de acetona e também fui ao quarto da minha irmã para por no lugar tudo aquilo que eu havia lá tirado, inclusive as sandálias. Minha mãe chegou cheia de sacolas e me perguntou que eu havia feito sozinho a tarde toda; menti, eu falei que havia feito a lição de casa e estudado para a próxima prova. Após o jantar fomos ver televisão. Minha irmã chegou do cursinho por volta das onze horas e fomos todos dormir. No meu quarto, com a porta fechada, eu deitado eu não me cansava de admirar as minhas lindas unhas dos pés pintadas de vermelho. Eu estava decidido no dia seguinte eu ia assim para o colégio, porque as meias e os tênis cobriam tudo. Passados dois dias na saída do colégio eu me aproximei de Ivone e lhe disse: “Olá”, e ela me respondeu da mesma maneira sorrindo então tomei coragem e lhe disse: “Eu lhe queria lhe falar uma coisa, mas eu não sei o que dizer”. Ela sorrindo disse: “Diga qualquer coisa” e cheio de coragem, falei: “Eu gosto de ficar perto de você”, ela respondeu desembaraçada sempre com um sorriso: “Eu também”. Agora cheio de coragem prossegui: “Deixa pegar a sua mão”. Sempre com aquele sorriso falou: “Eu deixo, mas só um pouquinho. Eu então peguei na sua mão fria, era fina, macia, delicada. Fomos assim calados até o portão da sua casa de mãos dadas. De volta a minha casa, assim que me vi sozinho, eu fui ao quarto a minha irmã e pequei a vidro de acetona e o mais rápido possível eu comecei a remover o esmalte das unhas dos pés. Eu pensei que ela iria pensar de mim se soubesse que tinha as unhas dos pés pintadas. Eu fui me recriminado: “Que é isso, quem pinta as unhas é mulher e eu sou homem, homem não pinta as unhas, bicha é pinta as unhas e eu não bicha”. E me lembrei que há uns dois anos atrás eu tinha um amigo com quem brincávamos havia muito tempo, eu ia a sua casa e ele na minha, mas um dia eu tive uma decepção muito grande, porque naquele dia ele deixou de ser meu amigo quando disse se eu queria dar para ele, eu reagi com veemência, ele descaradamente continuou insistindo que eu experimentasse que eu ia gostar e até pedir mais, eu não aguentei, enfurecido dei-lhe um soco na cara, ele não reagiu, apenas pediu desculpas e saiu da minha frente, nunca mais eu olhei na cara dele. Eu e Ivone tornamo-nos namorados. O pai de Ivone era um dos diretores de uma grande empresa alemã e ele aceitou ir trabalhar na matriz por alguns anos. Ivone e seus pais passaram quatro anos na Alemanha, nós mantínhamos correspondência. Quando ela voltou ainda mais bonita. Voltamos a namorar. Hoje nós estamos casados. Não temos segredos um para com o outro, somente nunca lhe contei aquele dia que pintei as minhas unhas. Esse segredo eu mantenho, só eu sei, ninguém mais. (o nome da minha esposa não é Ivone).

