Nao me julgue, nao me ataque. Eu so preciso contar minha história. Casei aos 16 anos e apos 12 anos de casados virei tentante. Tentei um, tentei doi e ao final de tres anos fiquei sabendo que o problrma era com meu esposo. 15 anos de casamento e nada de filhos… vi amigas tendo filhos, vi filhas de amigas terem filhos e eu nada. Nesse meio tempo conheci um rapaz e me apaixonei… houve uma bela noite de amor … fizemos juras, mas percebemos q excedemos o limite. No dia seguinte logo cedo tomei pilula do dia seguinte. Foi um longo mês, parecia que nao iria acabar. Estava urinando direto, toda hora ia ao banheiro. Uma amiga cogitou gravidez, mas preferi esperar. Uma tarde fui fazer caminhada e ao passar no espelho do meu prédio me dei conta: estou grávida. No dia seguinte entrei em contato com o rapaz e saimos juntos para fazer o teste…ainda faltavam 4 dias para a data de menstruação, mas preferi fazer. Aquela tarde almoçamos juntos enquanto esperávamos o resultado. Quando saiu, preferi abrir no carro. Chegando lá, ele abriu… me olhou com olhos enormes. Tomei o papel de suas mãos e li: reagente. Comecei a chorar, a me culpar…. escutei um "a gente tira agora, se vc quiser". Eu disse não… um erro não vai encobrir outro…e fui para casa aos prantos. Não tinha ideia do que faria aquele dia… nao havia quem desabafar… eu estava perdida.
Encontrei meu marido aquela tarde e terminei o dia aos prantos… ele me interrogava o tempo todo sobre o q tinha acontecido. Aquela noite abracei meu filho como pude, até que meu marido vendo minha posição cogitou e eu aos prantos,confirmei.
A confusão começou ali mesmo, me levantou da cama aos empurrões e me levou até o carro… parou um frente a uma praça, me cedeu o telefone para que eu ligasse e me despedisse de alguém. Iria me matar! Liguei para uma irmã distante e disse,: eu te amo. Foi só! Esperei a morte, mas ela não veio… ele decidiu que mataria o rapaz. Argumentei que eu era a casada, ele solteiro. Eu errei! Tomou me pelo braço e me levou a uma feira… me empurrou até uma banca e cochichou com um dos vendedores. O vendedor disse: sua esposa? Ele respondeu: nem sei quem é essa vadia. O vendedor falou " nao faz isso com a moça" e entregou um pacote a ele.
Ele me puxou pelo braço e entramos numa igreja, sentada lá havia uma faixa da campanha contra o aborto. Então ele falou: ou mato ele,ou o bebê. Chorei! Pedi que deixasse o rapaz em paz que tomaria as pílulas.
Tomei 4 pílulas. Passei o dia com medo. Nada aconteceu. No domingo procurei uma clínica e fiz uma ultra. Estava tudo bem com meu bebê. Quatro semanas, que alívio. Ao longo da semana comecei a me perceber como grávida… tinha falta de ar, fazia tanto xixi… na quinta feira informei ao pai que estava tudo bem. O pai já não queria mais saber de nós… entre vergonha, xingamentos e arrependimentos seguimos eu e o bebê. Meu marido tinha cortado toda fonte de comunicação que eu poderia ter acesso… ate que na sexta, me permitiu uma ligação. Liguei para um amigo distante…disse q algo estava muito ruim, mas que não me fizesse perguntas. Meu amigo me disse: vc é uma mulher do bem, vc é gente boa demais… aconteça o que for, vai passar pq vc nao merece. Caí aos prantos. Desliguei e chorei tanto que senti uma forte colica… fui p casa e no dia seguinte, quando ia ao supermercado senti algo descer. Olhei e era sangue… cheguei ao mercado e corri para o banheiro…algo caiu no vaso. Enfiei a mão sem pensar e peguei… era uma bolinha amassada…como uma ameixa. Obviamente era meu filho…naquele dia fui trabalhar sangrando…passei o dia mal. Pedi uma folga ao patrão e nada. Liguei ao pai e avisei, nada. Ao fim do dia o pai postou: cinema com o sobrinho, pq eu mereço. E eu perdendo sangue. No dia seguinte meu marido me levou ao hospital. Eu tinha perdido meu bebê em pleno dia das mães. Me senti um nada…
Agora, passado alguns meses meu marido e eu iniciamos uma FIV. Eu estou retomando cada sentimento… e se não der certo? É justo tentar artificialmente quando fui obrigada a matar o meu?
Mais uma vez, não me xinguem, não me julguem, eu só preciso desabafar!

