Quero me afastar dos amigos e família, dos meus pais, da minha irmã. Da L. do F. e do J. até do meu leal snoopy. Não tenho culpa, é o que sinto. Não consigo pedir ajuda! E quando a minha mãe me pergunta porque ando triste evito falar do que sinto. Não consigo! Não posso! Não dá!
A cada dia que passa o cansaço e perda de energia aumentam… e eu a pensar que não seria capaz de aumentar. Nunca mais alcanço a ponta final do precipício. O que resta do amor que tenho por eles parece diminuir o meu já curto e demorado passo. Para que eles não sofram, sofro mais eu…
O choro cansa-me os pulmões, a asma aumenta bem como a tosse nervosa e seca. Mas o pior é o peso latejante que o chorar provoca na cabeça, por toda a cabeça. Apertar as têmporas e os olhos não bastas para aliviar a dor.
Desculpem-me a vontade de ficar só. Perdão por este vício egocêntrico de destruição.
Silêncio! só vos peço silêncio, a confusão da minha mente é já demais ruidosa. A vertigem de cair no silêncio do meu quarto já não me basta. Quero ir para longe, para um lugar onde ninguém tenha a coragem de imaginar de que fui capaz de ir.
Não tenho mais palavras para descrever o que sinto, resta-me as palavras de sempre, clichés para quem sofre todas as horas: tristeza, melancolia, inércia, impaciência, irritação, vergonha, raiva, auto-comiseração, destruição. É viver a vida ao contrário.
As ideias voam para o esquecimento. Demoro horas a formular uma ideia que anteriormente alcançava maravilhosamente num ápice. Tenho pavor de estar perder o pensamento.
A minha mente é má, os erros e pecados do passado são as únicas coisas que não se desvanecem da memória. Sentimentos de culpa, desesperança, de fracasso, de desilusão, inutilidade. Não consegui ser o que desejei, a culpa é incompreensível, fui eu e não fui.
A sociedade também é cruel, velhaca, intolerante. Tenho vergonha de ser o que sou, e quem me ama também. Desiludi e vou desiludir quem me ama. Não tenho nada meu, tudo é dos outros. Tenho nojo do usufuto que faço. Desleixei-me, e o desleixo ainda me envergonha mais …Quero morrer nu num lugar de ninguém.
Nunca me apaixonei .
De dia sinto-me sonolento, de noite a melancolia sombria impede-me de descansar. E as dores nas costas fazem-me mudar impaciente repetidamente do sofá para a cama. Sinto as mãos e os pés dormentes, o estômago a apertar e os intestinos inchados.
As dores de cabeça sinto-as desde sempre, de pequenino. Esta melancolia raptou-me em pequenino… Em pequenino!
Tenho medo de ficar louco! De perder o pouco de seriedade que mantenho para me revelar um ser mal educado, sujo, violento.
O fracasso é um veneno fatal e crónico para quem um dia pecou ao ter tido o luxo de ter sonhado de forma tão bonita e justa.
Depressão a vida inteira…

