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Desabafo; Deus consente tudo? 1 parte 1

Eu queria poder acreditar nessa baboseira toda quando alguém diz “não fique assim não, vai ficar tudo bem”, “vai da tudo certo”, mas cada vez que escuto tais palavras, sinto um abismo crescendo ao meu redor e tudo que consigo vislumbrar é a borda do precipício se formando aos meus pés, convidando-me ao mergulho final na promessa concreta de que toda dor, angustia, impotência e sofrimento sejam sanados. Nestes últimos 25 anos, esta seria a melhor saída para mim e alivio para todos aqueles que de certa forma fazem parte do meu ciclo de relacionamentos. Uma vez lá nada poderia alcançar-me, estaria liberta de todos tanto no plano físico como no espiritual, se é que algum dia já fiz parte desses ultimo. Finalmente deixaria de ser uma erva daninha,… Sim uma erva daninha, pois é tudo o que tenho sido nestes últimos anos de minha existência a qual tenho consciência como gente.
Não quero dizer com isso que fui uma pessoa perversa, má que vivi em função de prejudicar os demais. Ao contrario, sempre primei pela harmonia, ajuda desprovida de intensões ainda que elas me colocassem em situações de apuros, na verdade não consigo dizer NÂO aos que me buscava auxilio. Esta foi à criação que recebi. Contudo, percebi que de certa forma meus problemas afetaram algumas delas o que me machucaram muito e me deixa em desalento.
Então percebo que nada faz sentido essa minha existência aqui, e como fato pertinente a mim revelados em minhas reflexões, pôde constatar que minha passagem por este plano foi um terrível equivoco. Somos atores interpretando os tramas da vida e como de esperar, fui reprovada em todos os atos.
Fracassei como filha, como família, como mulher, como companheira, como amiga e principalmente como mãe. Nada do que tenha feito valeu apenas. Nenhum sacrifício, nenhuma convicção religiosa, nem uns preceitos de moral /honradez, dignidade e bons costumes me deram garantia de felicidades. Estou ultrapassada pela nova ordem globalizada onde tudo não passa de banalidade em que casamento passou a ser uma instituição falida e transformou-se em um cômodo contrato de conveniências, com laços frágeis e de fácil dissolução e os filhos… Jovens rebeldes que renunciam as tradições para viver suas próprias regras. Sua própria realidade
Mas porque descrevo tudo isso? Sou uma mulher vencida pelas adversidades, apesar das tantas batalhas travadas, apesar de terem sido longas, tenho perdido todas as lutas, com Deus, com a família, com meu filho, com os amigos.
Tudo começou quando tinha 18 amos. Apaixonei- me por um homem daqueles que qualquer mulher desejaria ter a seu lado, Ele não possuía porte físico escultural, mas tinha qualidade que superavam os demais, era carinhoso, educado, gentil, atencioso, sensível, divertido respeitador e aos pouco fui deixando me envolver, onze meses depois estávamos namorando e fazíamos planos para nos casarmos. Após concluir os estudos formalizamos a união e vivemos bem durante os primeiros cincos anos, até o nosso filho nascer. Seu comportamento mudou, passei a ficar sozinha em uma cidade estranha com uma criança e após tanta discursões e grosseria ficou notória que já não nos entendíamos mais. As suspeitas de traição foram confirmadas apesar de sua veemência de que tudo não passava de fantasia e especulações de minha cabeça, quando fui desmascara-lo, senti que não estava tão preparada quanto parecia. O homem a quem chamava de esposo a quem entregara todos os meus sentimentos mais sinceros mantinha relações extraconjugais com outro homem e durante todo tempo de casada, fui humilhada e usada como objeto de fachada para encobri sua verdadeira opção sexual.
Meu mundo desabou com um filho de três anos partimos para uma nova vida onde apenas ele passou a ser o um único foco de minha vida. As 26 anos, Comecei a repelir os homens, procurei mantê-los a distancia. Havia perdido a confiança total no sexo oposto, se o único homem que tive em minha vida me fizera isso, que garantias eu tenho que os demais não fariam o mesmo.
E ainda que encontre alguém, como poderia interagir se Hoje quando estou a frente do espelho tudo que enxergo é uma mulher fracassada como mulher e que valha menos que um lixo. Perdi a vontade, perdi os sonhos. Eu os matei, matei os desejos, matei meu coração, matei a esperança. Já não acredito em romantismos nem tão pouco em principies encantados.

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Escrito por Anônimo

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Desabafo> Deus consente tudo? Parte 2