Eu confesso que certa vez, eu depois de certa resistência, resolvi satisfazer a minha vontade que se tornava uma obsessão compulsiva que foi em parte motivada por uma coleguinha de turma chamada Solange, aliás, ela era uma linda garota, que se sentava ao meu lado na sala de aula. Eu reparava que todas as semanas, até mesmo durante a semana, ela mudava as cores do esmalte em suas unhas e lhe perguntei se todas as semanas ela a manicure, ela me respondeu que a manicure dela era ela mesma que amava fazer unhas, era o seu hobby, e fazia também das suas amigas, naquele momento eu tive um impulso de pedir que ela pintasse as minhas unhas também, mas me contive, não tive coragem, dai em diante fiquei com vontade irresistível de pintar um dia as minhas unhas assim que surgisse também na primeira oportunidade que me aparecesse, isso não saia da minha cabeça. Eu era um adolescente saindo da puberdade, estava naquela fase de transição, de rebeldia, de independência, de querer fazer aquilo que me viesse na cabeça sem se importar com a opinião dos outros. Todos os meses eu tinha o costume de acompanhar minha mãe ao cabeleireiro que ela costumava ir todas as semanas que era e é muito vaidosa, enquanto ela fazia o cabelo e as unhas eu cortava o meu sempre de uma maneira bem comum e tradicional, bem comportado para a minha idade; repartindo o cabelo da esquerda para direita e sempre aparado com a tesoura que ficava um tanto curto. Certa vez que fomos ao salão enquanto a cabeleireira cortava o meu cabelo a manicure, como fazia costumeiramente com os demais clientes ela me perguntou se eu queria fazer as unhas, então aí surgiu à oportunidade que eu tanto esperava. Minha mãe estava ao meu lado no secador e fazia as unhas, mãos e pés, então lhe perguntei se eu podia também fazer as minhas unhas, ela com um sorriso disse que sim, disse isso pensando naturalmente que a manicure fosse querer passar um esmalte incolor como fazia em alguns de seus clientes. A manicure observando as minhas unhas disse que eles estavam de bom tamanho e que elas não precisavam fossem cortadas e que ia apenas dar umas lixadinhas nos cantos, depois de empurrar as cutículas elas ficaram ovaladas até meio compridinhas. Como com vidro de esmalte incolor nas mãos perguntou-me se eu queria, eu disse que sim, , mas mesmo sabendo que tinha, perguntei antes que ela começasse se não havia outras cores, então ela mostrou-me ao seu lado uma coleção de esmaltes das mais variadas de cores; vermelhos em diversos tons, roxos, lilás, azuis, verdes e muitos outros, então eu tomei coragem e apontei para um vermelho um pouco escuro dizendo que era esse que eu queria. Ela, certamente surpresa, sem dizer nada, de vagar, caprichando, começou a pintar as minhas unhas, primeiro da mão esquerda depois à direita e eu ia vendo e ia gostando cada vez mais de ver minhas unhas sendo pintadas. Uma vez de unhas pintadas, brilhantes, elas pareciam até que haviam crescido, levantei-me para mostrar para minha mãe, ela admirada se surpreendeu pondo a mão na boca vendo minhas unhas pintadas de vermelho, mas não disse nada, ficou calada imóvel e perguntou se havia sido eu que escolhera essa cor, eu disse que sim. Voltando para minha cadeira a manicure perguntou sorrindo se eu não queria aproveitar cuidar e pintar também as unhas dos pés, para sua surpresa eu disse que sim e pedi que pintasse com aquele mesmo esmalte. Tirei o meu tênis, as minhas meias e deixei que ela fosse cortando reto e lixando minhas unhas pintando primeiro a unha do dedo grande depois de cada dedinho do pé esquerdo depois fez o mesmo no pé direito. De unhas feitas eu vi que no salão havia para venda sandálias de dedo, justamente para atender para que lá fosse desprevenida sem levar sandálias de dedo e assim pudesse sair não arranhando ou embaçando as unhas que não estavam ainda bem secas, minha mãe quando foi ao salão já estava calçando um par de rasteirinhas, escolhi um par de sandálias brancas e pedi que a manicure fosse lá apanhá-las. Novamente fui mostrar para minha mãe e ela ainda surpresa, admirada, sacudindo a cabeça disse que eu estava uma graça e acrescentou que ela estava achando lindas as minhas unhas, mas não sabia qual seria a reação de seu pai me vendo assim com as unhas pintadas tanto das mãos como as dos pés quando voltasse de viajem. Eu sabia que isso ia acontecer, mas tinha que enfrentar a situação se eu resolvesse continuar pintando as unhas. Que importava era eu satisfazer naquele momento aquilo que ha algum tempo eu tanto desejava fazer, mas não tinha, até então, coragem de fazer. Fiz, minha vontade foi realizada. Depois de pagar as despesas saímos do salão de mãos dadas, assim me sentia apoiado e fomos ao shopping que ficava ali bem próximo, minha mãe queria fazer algumas compras. Enquanto minha mãe entrou na loja para experimentar alguns vestidos eu fui até a uma loja de calçados que ficava logo em frente e comecei a olhar as vitrines procurando onde estavam as sandálias rasteirinhas. Bati os olhos numas e vi entre elas aquilo que eu queria, eram iguais aquelas que há pouco tempo vi nos pés de Solange, elas eram feitas de tiras de couro bem finas que saiam entre os dois dedos maiores e iam se cruzando o pé até o calcanhar e depois subiam e eram amarradas em volta dos tornozelos. Havia sandálias com palmilhas de diversas cores; brancas, vermelhas, azuis e verdes e as tirinhas eram da cor das palmilhas. Eu chamei a vendedora e pedi para experimentar algumas. Naturalmente, a vendedora ficou surpresa de ver um garoto com as unhas pintadas querendo experimentar aquele tipo de sandálias tão femininas. Pratica, a vendedora trouxe de várias cores no meu numero e me ajudou a calçar cada uma delas amarrando-as nos meus tornozelos. Todas as cores eram lindas, mas acabei escolhendo a vermelha que combinava mais com o tom do esmalte. Dei alguns passos sobre o tapete, senti que elas eram macias, confortáveis, observei que os meus dedinhos eles não saiam do lado das palmilhas. Pareciam ser feitas sob medida para mim. Diante de um espelho grande pude me ver por inteiro. Queria ver se estava tudo combinando. Naquele dia eu vestia um short jeans e uma camisa polo branca, as sandálias vermelhas sobressaiam, as minhas unhas recém-feitas brilhavam. Perguntei à vendedora quanto elas custavam, ela quando me disse o preço levei um susto, eram caríssimas para uma rasteirinha, porém a vendedora me disse que eu examinasse o seu acabamento perfeito, a sua maciez, sua flexibilidade, como as tirinhas corriam livremente. Eu perguntei se aquelas tirinhas tão finas e não podiam se arrebentar ela me assegurou que aquela fabrica era de inteira confiança e nunca houve qualquer reclamação sobre os produtos então pedi que reservasse aquele par dizendo quer ia chamar minha mãe que estava logo ali para fazer o pagamento. A vendedora me disse que duas atrizes da televisão haviam comprado varias de diversas cores. Ao trazer minha mãe mostrei-lhe na vitrine o modelo das sandálias que eu estava comprando. Minha mãe achou muito caro aquele par de sandálias que nem saltos tinham, mas acabou comprando, naturalmente ela depois de me ver de unhas pintadas não estranhou de me vendo escolhendo sandálias tão femininas. Eu quis sair da loja com elas, mais uma vez a vendedora ajudou-me a calçar as rasteirinhas e acabou perguntando se eu não gostaria de ter nascido menina, eu respondi que não. Eu notei que por onde passava chamava a maior atenção, alguns até discretamente me apontavam com o dedo, quase todos que passavam observavam minhas unhas pintadas naquelas sandálias, mas eu não dava à mínima, olhava para frente de cabeça erguida de mãos dadas com minha mãe, me sentia assim apoiado e protegido porque estava fazendo aquilo que eu há muito tempo desejava fazer. Quem quisesse me olhar para as minhas unhas pintadas e para minhas sandálias que olhasse a vontade. Eu não estava nem aí. Depois das compras fomos à praça da alimentação a fim de tomar sorvetes, eu mesmo não parava de admirar as minhas unhas pintadas, quando eu procurava no cardápio com o dedo indicador sabor de sorvete que queria via minha unha vermelha um pouco escura do dedo indicador, brilhante, linda, percorrendo o cardápio, depois voltei a admirar das minhas mãos, abrindo-as e fechando e abrindo os dedos e os meus pés e aquelas sandálias vermelhas de tirinhas que deixavam meus pés todo amostras. Eu estava feliz da vida. Fiz aquilo que há muito tempo desejava. No dia seguinte eu minha mãe fomos ao supermercado, fui vestido com uma alça jeans e uma camisa Apolo verde, não dispensei minhas novas sandalias. Novamente eu estava sempre sendo observado, chamava a maior atenção, mas continuava não dar mínima e ajudava minha mãe tirando os produtos das prateleiras. Ao chegar a casa minha mãe recebeu um recado do meu pai que no dia seguinte ele iria voltar da sua viagem ao exterior e que deveria chegar em casa pela manhã daí a dois dias. Minha mãe disse se eu pretendia continuar com as unhas pintadas, disse-lhe que a minha vontade foi saciada de fazer aquilo que tanto queria e que iria curtir com as minhas unhas pintadas e a minhas sandalinhas mais um pouco, porém quando meu pai chegasse não veria nada. Assim foi; na noite de um dia antes da sua chegada ainda meio chateado tomei um removedor e comecei a tirar os esmaltes das unhas, as minhas queridas sandalinhas eu pus na sapateira da minha mãe. Mas valeu a experiência. Comprei aquelas sandálias bem abertas para que eu pudesse ver livremente as minhas unhas dos pés pintadas quando eu quisesse ver. Como já disse minha vontade foi totalmente saciada, repeti-la seria não me causaria mais nenhum prazer, jamais tornaria a fazer isso, não teria o menor sentido. Na verdade nunca me passou pela cabeça me vestir com roupas femininas, nem me maquiar passando batom ou deixar meus cabelos cresceram como a maioria das meninas, eu de maneira inexplicável queria me ver com as minhas unhas pintadas, não sei por que, pouco me importando que as pessoas vissem, não fiz aquilo para mostrar para ninguém. Bem mais tarde minha mãe, que era formada em psicologia, me disse não se opusera que eu pintasse as unhas naquela minha idade para que eu não criasse um trauma futuro de um desejo não realizado e vir sentir arrependimento de não tê-lo feito que pudesse ficar na minha cabeça a vida toda.

