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Dessa vez foi a gota d’água

Dessa vez foi a gota d’água, e vou explicar tudo desde o começo.

 

Quando criança eu fui criado com base nos princípios cristãos (com leve inclinação para o lado das Testemunhas de Jeová), então naturalmente eu apanhei dos meus pais algumas vezes por causa daquelas alegações de que o livro de Provérbios manda castigar o filho com a “vara da disciplina”.

 

Com isso eu cresci revoltado e, ao invés de aprender alguma coisa de “bom” quando apanhava, na hora eu só pensava em crescer logo, para namorar logo, noivar, casar, ter meus filhos (na minha cabeça o processo passo a passo era esse), para que, quando eu tivesse meus filhos, na primeira oportunidade em que eles errassem, eu descesse o cacete neles sem dó, gritasse com eles, xingasse e ameaçasse, vingando as vezes que apanhei dos meus pais, que gritaram comigo, me xingaram e me ameaçaram (algumas vezes tendo feito isso até na rua mesmo).

 

Meu desejo não era nem tanto bater de volta nos meus pais quando ficasse maior, mas sim ter meus próprios filhos e descer o sarrafo neles sempre que pudesse, pois para mim o prazer estaria não tanto no ato de bater em si, mas sim em tirar a pureza de uma criança em acreditar que eu, o adulto responsável por ela, iria amá-la e protegê-la. Queria que aquela criança indefesa e inocente passasse o mesmo que eu passei, se sentindo diminuída e humilhada diante dos castigos sofridos, e impotente por não poder tratar ninguém da mesma forma a menos que tivesse seus próprios filhos (o que não é para crianças e nem adolescentes).

 

Nesse meio tempo surgiu o projeto de lei da lei da palmada lá em 2010, mas fiquei na dúvida se tinha sido aprovado mesmo ou não, até que descobri que o projeto só foi aprovado mesmo em 2014. Lembro que na época que surgiu essa discussão em 2010 fiquei doido para aprovarem essa lei logo para que eu não pudesse mais apanhar.

 

Para piorar, nunca me foi permitido sair de casa para morar sozinho, sendo exigido que eu só saia quando tiver guardado dinheiro suficiente para ter minha própria casa (não pode ser alugada), meu próprio carro, etc. E, enquanto isso não acontece (não aconteceu até hoje), sigo morando a contragosto na casa da minha família de criação.

 

O tempo passou, eu cresci, hoje sou adulto, mas, por várias razões, até hoje nunca consegui uma namorada sequer, quanto mais casamento… filhos então piorou.

 

Há algum tempo se mudou para a minha vizinhança uma mulher que trabalha num estabelecimento aqui perto de casa (eu conheço esse estabelecimento há anos). Essa vizinha é casada com um caipira mulambento, que também será muito mencionado neste desabafo.

 

Uma vez, no ano retrasado, eu ouvi essa mulher espancar o próprio filho a ponto do menino gritar por socorro e não satisfeita com isso ela ainda gritou na cara dele que ele era uma praga, sem que o menino pudesse ter direito de ao menos se defender dizendo que não é uma praga.

 

Na época que isso aconteceu eu denunciei o caso ao Conselho Tutelar da região onde moro, o Conselho Tutelar foi até a casa dela, conversou com ela, mas ela, esperta que é, contou a versão dela e falou o que quis para os conselheiros, dizendo que só conversa, coloca de castigo, etc., e que o denunciante (no caso eu) “não tem prova” do que acontece. Safadeza total!

 

Tempos depois ela tornou a torturar esse menino e tornei a denunciar no Conselho Tutelar, mas dessa vez eles responderam que já tinham feito visita na casa desse casal maldito e que não haviam constatado nada demais, de modo que, se eu visse algo mais, devia chamar a polícia.

 

Curioso é que essa fdp só apronta seus maus tratos contra o menino quando estão só ela, aquele marido sem vergonha dela e o menino, mas quando tem visita na casa dela o demônio sai de dentro do corpo dela e não vejo essa carnificina toda, ela se controla mais na presença de outras pessoas.

 

O caipira com quem ela casou também é outro safado, que agride fisicamente até crianças que nem filhos dele são, vide uma menina que, segundo informações que recebi, é sobrinha dessa mulher e não vive com eles na casa, mas que vai visitá-los de vez em quando. Além disso, ele vive dando gritos com o menino, principalmente gritando “Pára!”, “Eu vou te bater!” e “Eu vou bater nocê!”. Agora demonstrações de amor dele para com o menino eu nunca vi nem ouvi nenhuma.

 

Outro detalhe também é que essa filha de chocadeira cria o menino na base daquele provérbio “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Ela fala palavrões a rodo quando fica pistola com alguma coisa, mas se o menino falar metade da metade dos palavrões que ela fala, é certeza que ela vai espancar ele até dizer chega. Ela xinga ele de mil e uma coisas, mas se o menino xingar quem quer que seja daquele modo ela não vai aceitar. E assim com muitas outras coisas.

 

Um exemplo disso é uma vez que ela ligou para a seguradora do carro dela reclamando que “a porra da tampa do porta-malas não ficou pronta”. E olha que nem precisei esticar o ouvido para ouvir o que ela falou, porque essa desgraçada nasceu com um megafone instalado de fábrica naquela goela amaldiçoada. Agora imagine o menino dela falando um palavrão desses, aos gritos… Se tivesse acontecido, é certeza que ela já o teria mandando para o cemitério.

 

Depois, já no ano passado, quando foi na véspera do Dia Internacional da Mulher, essa desgraçada gritou com o menino, xingou e ameaçou durante o dia inteirinho! Ela como mulher certamente quer ter direito a ser tratada com dignidade e fazer valer seus direitos (votar, dirigir, trabalhar, abrir conta em banco, exercer o direito de ir e vir, namorar com quem quiser, terminar quando quiser, casar com quem quiser, separar quando quiser, etc.), mas na hora de respeitar os direitos de uma criança de ser criada com respeito, não quer saber! Vagabunda mesmo!

 

Quando, em casa, eu manifestei abertamente a minha revolta contra o que estava acontecendo e fui colocado contra a parede para que contasse sobre se tinha sido eu que tinha denunciado (pelo mesmo motivo) uma outra vizinha que morava naquele imóvel antes dela, acabei confirmando, pois sentia que meus familiares de criação já sabiam de tudo e só estavam esperando a confirmação. Mais tarde, naquele mesmo dia, fui questionado sobre se não tinha feito denúncia à nova vizinha, o que também confirmei. E foi aí que ouvi uma fala que me deixou ainda mais revoltado: “Eu conheço a fulana de tal há 15 anos. Com que cara eu vou olhar para ela se ela descobrir que foi você que denunciou?”.

 

Fiquei revoltado com aquilo, pois, claramente, os meus familiares de criação estavam mais preocupados em preservar a amizade de longa data com a vizinha criminosa a fazer o que era certo, denunciando os maus-tratos que esse menino sofria (e sofre até hoje).

 

Outra coisa que acontecia por aqui é que toda terça-feira de manhã essa miserável ligava o som para ouvir pregações evangélicas do tipo “Deus vai abrir seus caminhos”, “Deus vai te conceder a vitória”, etc., etc., mas, agora, para o menino, aí não é mais o Deus das vitórias, da abertura de caminhos, etc., e sim o Deus que inspirou Salomão a escrever trocentos provérbios mandando os pais castigarem os filhos com a “vara da disciplina”. Ou seja, para ela, o Deus das vitórias, glórias, do perdão de pecados, da salvação, etc. Para o filho, o Deus punidor e impiedoso com crianças errantes.

 

O barulho dela gritando com o menino, xingando e ameaçando todas as manhãs era tanto, que adquiri o hábito de dormir todas as noites com ventilador ligado, mesmo em dias de inverno, só para encobrir o maldito barulho dela gritando com ele (ou pelo menos tentar encobrir esse barulho). Agora pensem: por que cargas d’água uma pessoa precisaria dormir o inverno todo com ventilador ligado, não fosse por isso? Só imaginem…

 

Os maus-tratos dela para com ele se seguiram inclusive no Dia das Crianças do ano passado.

 

Ainda no ano passado, bem na hora que eu ia jantar, o infeliz do caipira que ela chama de marido tocou na campainha da minha casa bem na hora que eu ia jantar. Pensa numa pessoa que ficou no ódio… Já não basta esse maldito maltratar crianças e adolescentes e eu ter que presenciar tudo isso todo dia, agora ter que aguentar esse filhote de diabo na porta da minha casa, e bem na hora que vou comer?

 

Agora que vem o plot twist da história…

 

Neste ano, em certa data, estávamos em casa separando coisas que não usamos mais e que pretendíamos doar, quando, em meio àquilo tudo, decidimos separar também um PS2 usado. Eu ia rifar aquele PS2 e com o dimdim da rifa ia investir em coisas para mim. E era aniversário do menino.

 

Naquele dia, foi-me contado por um dos meus familiares de criação que o filho da tal vizinha havia admitido que ele próprio fazia um monte de coisas (como demorar de propósito a se arrumar para ir à escola) só para deixar a tal mulher e aquele caipira irritados e, com isto, seria esta a razão pela qual eles eram tão severos com ele.

 

Foi então que um sentimento de remorso tomou conta de mim, pois me compadeci da situação dela, e esse foi o meu erro.

 

Senti um misto de sensações tanto emocionais quanto físicas. Poucos minutos atrás, eu estaria quase tentando esganá-la. E, agora, eu queria fazer algo de bom por ela, como forma de compensar o que eu acreditava ter sido um mal injusto causado. Vai entender…

 

Naquele dia, recebi a sugestão de dar o PS2 usado de presente ao menino como uma forma de fazê-lo canalizar suas energias nos jogos ao invés de ficar provocando a tal mulher e o tal caipira. Gostei da ideia e, tolamente, pensei que, se eu fizesse aquilo, aquela quizumba naquela maldita casa finalmente ia acabar.

 

Foi então que contataram os tais vizinhos para saber se podíamos dar o PS2 para ele, e a mulher disse que sim. Então separei os jogos, com cada jogo na sua capa certinha, tomei o cuidado de não dar a ele nenhum jogo violento (como o GTA San Andreas, por exemplo), para não acentuar ainda mais a “agitação” dele, e, feito isto, fui para a casa dos três entregar o presente, mas, antes, advertindo o menino de que não queria vê-lo tornar a desafiar os pais daquela forma, senão ia tomar o PS2 de volta. Também ofereci apoio aos dois, para, caso precisassem de alguma força, contassem a nós se o garoto estava cumprindo com o trato ou não, pois estávamos ali para apoiá-los.

 

Cabe lembrar, ainda, que eu não sou “emocionado” ao ponto de achar que aqueles dois tivessem que recorrer necessariamente a mim e/ou à minha família para lidarem melhor com o menino. Poderiam contar com parentes, amigos, psicólogos, terapeutas ou sabe-se lá quem, o importante para mim é que aquela maldita quizumba acabasse de uma vez por todas.

 

Os três ficaram muito agradecidos e, por um instante, senti que estava fazendo a coisa certa. Nas primeiras semanas, o menino se comportou melhor, passou a dormir mais cedo, cumprir as tarefas, não desafiar mais os pais, etc. Mas o tempo passou e, cerca de 2 meses depois, pouco a pouco, essa maldita quizumba voltou ao que era.

 

Mais tarde, no Dia dos Pais desse ano, essa mulher amaldiçoada chegou a ameaçar abandonar a casa, gritando na cara do menino: “Tá satisfeito agora?”. Em 21/09 deste ano, aconteceu de novo, ela gritando com o menino, xingando e ameaçando.

 

Em 20/10 deste ano, o maldito caipira tornou a tocar na campainha da minha casa pedindo sei lá o quê emprestado para poder fazer a mudança (eu já tinha sido informado que aqueles dois vermes iam se mudar). Colocaram toda uma tralha na boleia de um caminhão

 

Quando foi em 23/10 deste ano eu denunciei de forma mais aberta a história dela, chegando a mencionar inclusive o lugar onde ela trabalha. Na tarde seguinte, fui acordado com um olhar fuzilante de um dos meus familiares de criação, exigindo que eu removesse imediatamente das redes sociais as postagens em que denunciava abertamente a tal vizinha.

 

Questionei o porquê de remover, ao que fui respondido que o Tribunal de Justiça do estado onde moro estava ligando aqui para casa o dia todo querendo saber do que tinha acontecido e que um dos meus familiares de criação estava sendo chamado à delegacia para prestar depoimento. Questionei então sobre por que eu não era chamado para depor, já que era eu o denunciante, mas tive a resposta de que a pessoa que é chamada é aquela em cujo nome está o aluguel do imóvel, por isso que não fui chamado.

 

Fui forçado não apenas a remover as postagens em redes sociais denunciando os malditos vizinhos como também remover as denúncias que tinha feito à Justiça, sendo que me senti humilhado em ter que fazer isso, porque sabia que tudo que eu tinha ouvido era verdade, que a denúncia procedia e que, por mais que eu não tivesse provas como gravações ou filmagens, eu havia realmente ouvido o que ouvi e com base nisso que denunciei.

 

Me senti humilhado em saber que estava certo e eles errados, mas que, ao remover a denúncia, estava dando a eles o direito de agirem daquela forma sem que houvesse consequência alguma.

 

Ontem, de novo, eu ouvi essa desgraçada dessa vizinha maltratando verbalmente o menino, assim que chegou em casa, à noite. Fiquei tão possesso que falei até em matar a tal vizinha, mas logo fui “detido” dizendo que não podia dizer aquilo porque estava na casa dos familiares de criação. Então disse que ia sair para a rua e dizer, mas mesmo assim fui contido para não fazer isso, porque enquanto eu ainda morasse na casa dos meus familiares de criação, mesmo sendo maior de idade, eles ainda são responsáveis por mim(?).

 

Para mim essa foi a gota d’água de tudo e uma coisa eu digo, isso não vai ficar assim. Eu vou me mandar daqui, caçar alguma casa nem que seja alugada, e tendo minha casa alugada vou fazer tudo aquilo que sempre quis fazer mas que não me deixaram por viver na casa deles.

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Escrito por Anônimo

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2 Comentários

  1. P.S. (parte 2):

    Uma outra coisa que esqueci de falar é que todos os dias fico olhando para as luzes da casa deles para ver se apagaram todas as luzes (o que, teoricamente, indica que está todo mundo dormindo).

    Olho isso pois, teoricamente, se eles estiverem mesmo dormindo, só vou me estressar com eles amanhã, mas aí muitas vezes, eles (que supostamente acordam cedo para o casal trabalhar e o menino estudar) ficam acordados às vezes até depois das 23h, não raro com aquela vizinha desgraçada maltratando verbalmente o menino até altas tantas da noite.

    Infelizmente, como não me é concedido sair da casa da minha família de criação a menos que eu tenha a minha própria casa (não pode ser alugada) e como eles não fazem nada a respeito dessa maldita vizinhança, quem tem que cuidar de mim emocionalmente nesse aspecto sou eu mesmo.

    Nos últimos tempos, tenho deixado o ventilador ligado até mesmo durante a tarde/noite quando esses malditos estão em casa e só desligo quando vejo que todas as luzes da casa deles estão apagadas, pois, do contrário, é enorme a chance de eu ouvir aquela maldita quizumba, e já que não posso denunciar nem fazer nada a respeito, não quero nem ouvir nada daquilo (apesar que ontem a maldita vizinha gritou tão alto que ultrapassou até o volume do ventilador, que estava ligado no talo para tentar encobrir o barulho).

  2. P.S.:

    Em 20/10 deste ano, o maldito caipira tornou a tocar na campainha da minha casa pedindo sei lá o quê emprestado para poder fazer a mudança (eu já tinha sido informado que aqueles dois vermes iam se mudar).

    Colocaram toda uma tralha na boleia de um caminhão, o caminhão ficou parado perto da minha casa durante cerca de 2h enquanto colocavam tudo lá dentro e tudo indicava que iam se mudar, que eu finalmente me livraria desses dois malditos vizinhos diabólicos e demoníacos do inferno, mas, ao invés disso, apesar de tudo, quando foi no dia seguinte, os dois malditos voltaram para lá com o menino e essa maldita quizumba continua perto da minha casa até hoje.

    Foi a partir daí que ocorreu a denúncia de 23/10, mas, antes, em 22/10, ainda houve o caso em que a maldita vizinha xingou o menino de “folgado”, gritou com ele de tudo que é jeito e o caralho a 4.

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