Eu confesso que não sou gay. Posso ser homossexual, mas naum sou gay não sou afetado, naum dou show, nao frequento ambientes gls. Curto dar a bunda, gozo e tb como, mas naum sou bichinhaa. tá na net
“Gay é sinônimo de homossexual? Não necessariamente O cara pode ser homossexual e não ser gay? Sim queridos. Claro
Por Ferdinando Martins
O Mix inicia com essa reportagem uma série de matérias que explicarão o que significa na prática a tal diversidade sexual. As diferenças entre travestis e transexuais; o que seria um transgênero, o bissexual; as questões femininas…. O primeiro tema é homossexualidade (prática sexual) e gay (identidade).
Homem que faz sexo com outro homem é gay ou é homossexual? A pergunta pode parecer estranha para quem não é da comunidade GLS. Por exemplo, o jornalista Tiago Décimo, heterossexual, disse que usa os dois termos como sinônimos. “É a mesma coisa, não é?”, pergunta ele, assustado. No entanto, quem começa a conversar com um militante pelos direitos de gays e lésbicas ou mesmo para o povo que circula nas casas mais descoladas dos grandes centros urbanos, não consegue responder à questão tão facilmente.
A antropóloga Regina Facchini esclarece que é preciso diferenciar o desejo, a prática e a identidade. Apesar de interligadas, essas dimensões não necessariamente coincidem. Por exemplo, há quem possa ter desejo e barrá-lo, sem a prática ou a identidade. Ou, ao contrário, um homem pode na prática fazer sexo com outro homem (HSH), sem que se identifique como gay ou como homossexual. Nesse sentido, há até mesmo aqueles que podem ter uma prática sexual diferente de seu desejo – é o caso da mulher casada que não sente prazer com seu marido ou do michê que sai com outros homens exclusivamente por dinheiro.
Para a antropóloga Isadora Lins França, a diferença entre gay e homossexual é uma questão de classificação. Os dois termos se referem à orientação do desejo para alguém do mesmo sexo, mas “são classificações surgidas em contextos diferentes e acabam tendo usos diferentes”.
As diferenças já estão na origem das duas palavras. “Homossexual é uma classificação médica surgida no século XIX para dar conta de determinadas manifestações clínicas”, diz a psicóloga Cátia Oliveira da Cruz. O termo gay, segundo ela, está lingüisticamente ligado a um comportamento mais amplo. “Pegaram determinadas características de parte da comunidade homossexual e generalizaram. A alegria e certos traços mais femininos foram destacados com a palavra gay”.
No entanto, o termo gay se espalhou de tal forma que seu uso passou a abarcar grupos nem tão festivos. “Hoje, acho que é possível dizer que alguns significados se atrelam à idéia de “gay”, ou do que se imagina que seja uma “cultura gay”, muito mais diversa na prática do que os sentidos a ela ligados. Alguns desses significados parecem ser, por exemplo, a preferência pela vida noturna, o gosto pela moda pela arte, etc, que não me parecem tão associados à idéia de homossexual”, diz França.
A antropóloga destaca uma questão importante: “a idéia de orgulho está mais associada ao termo gay e aos lugares de sociabilidade gay”.
Beto de Jesus, da International Gay and Lesbian Association, acredita que o gay tem estilo próprio. “Ele alçou outro estágio. Além da orientação sexual, ele luta para acabar com o preconceito. Já o homossexual pode ter dificuldades de se identificar. Aqueles que dizem que não querem sair com quem não é do meio não pode ser chamado de gay. Esse tipo não se preocupa com o avanço da legislação, por exemplo”.
A drag Paulete Pink, acostumada a conviver entre gays e homossexuais, vai mais além. Ela concorda que o gay é mais assumido e destaca que, muitas vezes, o homossexual pode assumir posturas anti-gay. “Aquele que é só homossexual tem medo de se mostrar. Alguns são hipócritas. Enganam no trabalho com medo que descubram, enganam para a família e enganam até a si mesmos”.
Paulo Giocomini, representante do município de São Paulo na Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, diz que gay é assumido. “Ser gay é um posicionamento político e que vai além da identidade sexual”.
É possível perceber, portanto, que há um consenso na comunidade GLBT ao relacionar o gay com aquele que torna pública sua orientação sexual e faz dela um estilo de vida. O homossexual, por outro lado, refere-se a uma categoria mais genérica, incluindo aqueles que preferem manter suas práticas ocultas ou se recusam a fazer que elas influenciem outras dimensões de sua existência. Regina Facchini lembra que algumas lésbicas aceitam serem chamadas de homossexuais, mas não de gays.
O pensador Massimo Canevacci vai mais além. Em entrevista para o Mix Brasil, ele disse que a categoria homossexual podia ser abolida. “É um termo do século XIX, quando pensava-se o sexo a partir de uma polarização homem/mulher. Homossexual era aquele que queria o mesmo sexo. Hoje, as pessoas querem o múltiplo e sabe-se que os gêneros são infinitos”. Canevacci diz ter uma queda pela cultura gay porque ela abre um espaço de liberdade para a experimentação e a diversidade. Entendido?”

