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Dificuldades com a sexualidade.

Minha história é a seguinte: quando criança fui abusado por um adolescente e gostei. Pra mim era uma "brincadeira" nova que eu tratei de mostrar para os meus outros amigos do prédio. Basicamente esfregar pau com pau e pau na bunda do outro. Lembro também que no banheiro da escola rolava um troca-troca de um pegar no pau do outro, algo que deve ter acontecido com muitos. Um pouco mais a frente comecei a fazer essas coisas com um primo, eu normalmente sendo o "passivo", embora não rolasse penetração de fato, mas eu gostava. Lembro de já ter naquela época uma certa consciência de que isso era errado, e pensava no que o meu pai e avó (falecidos) iam pensar no "céu". Bom, passou o tempo e eu parei com essas práticas. Foi chegando a pré-adolescência e eu lembro de ter ficado muito complexado com o tamanho do meu pau, que de fato é pequeno e fino. Eu fazia minha mãe me levar pra médicos e pediatras pra analisarem o problema, o que obviamente não deu nenhum resultado. Todos os paus que eu já tinha visto ou tido alguma experiência eram maiores que o meu. Comecei a sentir a minha masculinidade diminuída. Chegou também a fase da descoberta da masturbação e pornografia. Basicamente tudo o que se referia a sexo me excitava, e eu tinha playboys e outras revistas com mulheres, bem como me reunia com os amigos pra bater punheta vendo filme pornô. Foi a época que a pornografia se alastrou muito pela internet, da qual fiz muito uso. Eu consumia principalmente sexo heterossexual, mas também assistia sexo lésbico e solo feminino. Com o passar do tempo, e ainda sabendo que isso era um tabu, comecei a experimentar ver também sexo gay, e percebia que essa categoria me excitava especialmente. Então posso dizer que o cardápio era variado. Com a adolescência começou a fase de pegação, com quase todo mundo perdendo o famoso BV. Na escola primária eu nunca tive nenhum problema, estava bem integrado e só lembro de uma época ter sido chamado de veado por não jogar futsal com os colegas. Fora isso, normal. A mesma coisa com os amigos do prédio. De fato eu nunca fui de esportes, mas até jogava bola como brincadeira, o problema sendo mais a competição. De resto eu era absolutamente normal, como as outras crianças. Quando entrei no ginásio, antiga 5a série (hoje 6° ano) mudei de escola e repeti o mesmo padrão e me integrei aos colegas normalmente, havendo poucas diferenças entre nós. Lembro que o grupo que eu participava demorou um pouco a entrar na onda da pegação, porque a gente era desprezado pelas garotas da sala. Mas não demorou muito e as primeiras experiências começaram a aparecer. Bom, aí que as coisas começam a mudar pra mim. Desde a pré-adolescência eu já conhecia quem tinha perdido o BV e agora estava vendo mais gente fazer o mesmo, então fui começando a desenvolver uma ansiedade em torno desse tema. Eu achava que tinha ficado pra trás e morria de medo de ter a experiência e a garota perceber que era a minha primeira vez, era assim que pensava. Eu tinha medo do meu desempenho em momentos de intimidade. Nesse colégio que estudei lembro de ter dispensado sistematicamente todas as garotas que se interessavam por mim. Daí entrei num ciclo vicioso: eu não me permitia a primeira experiência, o tempo ia passando e a ansiedade ia aumentando, tornando tudo mais difícil. Obviamente eu notava as garotas, sabia quais eram as gostosas e julgava desejá-las normalmente. Enquanto isso continuava sendo um adolescente punheteiro, e via de tudo um pouco, inclusive conteúdo homossexual, mas o principal continuava sendo sexo hétero. Não lembro de desejar os garotos no colégio. Eu os via como amigos e iguais a mim. As festas e shows continuavam rolando, algumas eu até ia, mas nada acontecia e eu voltava pra casa frustrado. Fui começando a ser o "pega-ninguém" do grupo e me tornando recluso, antissocial. Passei a evitar ao máximo qualquer situação que envolvesse pegação. Vale lembrar aqui que nesse meio termo eu meio que me apaixonei por uma garota. Ela era do interior e filha de um grande amigo da minha mãe. Ela percebeu e ficamos nesse clima por um tempo, embora nada físico tenha acontecido. Lembro que uma vez ela estava na minha casa e convidei ela pra dormir na minha cama, que era de solteiro, e eu lembro de ter ficado excitado com o toque do corpo, mas travava para fazer algo mais. Lembro que uns amigos até armaram uma situação pra rolar um beijo mas eu, aterrorizado, inventei uma desculpa e saí da situação. Comecei a me sentir excluído, inferior, diferente. Minha autoestima foi lá pra baixo e eu não sabia articular o que estava acontecendo, e fui entrando em depressão. Foi quando comecei a frequentar psicólogos e tomar medicamentos. Eu falava do meu insucesso com as garotas e como estava me tornando antissocial. Foi mais ou menos a época que entramos no ensino médio. A essa altura o meu rendimento escolar, que sempre tinha sido bom, despencou porque eu meio que entrei no modo zumbi. Ir ao colégio estava cada vez mais insuportável pra mim, e eu cheguei até a cogitar mudar de cidade. Daí ocorreu de a minha turma ser absorvida por outra (as últimas séries tinham menos alunos) e eu inconscientemente busquei outra estratégia: me desvincular dos antigos amigos e me tornar amigo de uma turma que também não pegava ninguém. Então eu me sentia menos desconfortável. Terminei o ensino médio dessa forma, "virgem" e BV. Eventualmente alguns desses novos amigos até pegavam garotas, mas nada que eu me sentisse muito ameaçado, eu tava de boa entre eles. Vou explicar agora o "virgem" entre aspas: durante o tempo em que estive com o antigo grupo de amigos aconteceu de um dia estarmos reunidos na casa de um deles e surgiu a ideia de chamarmos uma puta pra gente perder o cabaço. Acho que por volta dos 14 ou 15. Na hora fiquei aterrorizado pela ideia também mas eu não podia desistir àquela altura, existe toda uma pressão. A puta chegou e um a um foram entrando em um quarto com ela. Quando chegou a minha vez eu pedi pra apagar a luz e deitei ao lado dela. Tava de pau mole, e às vezes ele fica bem retraído parecendo de criança. Então ela começou a tentar me excitar com a mão e a boca, e eu metia o dedo na buceta dela, mas nem sinal do meu pau subir. Fiquei um tempo ali e fingi ter finalizado. Essa foi a minha primeira experiência com mulher. Mais tarde eu resolvi repetir a dose e chamei um amigo do prédio, fomos até o bairro onde as prostitutas se concentram, escolhemos uma e fomos para um prédio que alugava quartos pra isso. Quando chegou a minha vez eu naturalmente estava menos ansioso, e meu pau até começou a responder, mas quando ia colocar a camisinha ele já amolecia. Ficava nessa de mole, duro, meia-bomba mas não consegui a ereção suficiente pra penetração. Mais um fracasso. Só iria ter outra experiência mais na frente. Bom, mesmo tendo chutado o balde para os estudos no ensino médio consegui entrar em um curso concorrido da universidade federal da minha cidade. Em um ambiente novo você começa logo a procurar o seu lugar, e eu mais uma vez repeti a estratégia de me vincular aos caras hétero da turma. Eu ainda tava com todo aquele trauma da adolescência mas de alguma forma havia menos pressão no meio acadêmico, acho que pelo fato das pessoas serem mais maduras. No começo teve até aquela coisa da calourada e as primeiras festinhas de turma que eu naturalmente evitei. Pra falar a verdade, em todo o curso eu só fui a dois eventos da turma. Então eu interagia normalmente entre eles mas todos viam que eu tinha o meu lado recluso. Não me sentia desconfortável exceto quando fechamos um grupo de carona no carro de um colega. Nesse carro a gente conversava sobre absolutamente tudo e naturalmente alguns colegas contavam as suas experiências da adolescência no campo sexual e afetivo. Nesses momentos eu ficava absolutamente tenso e calado, e eles perceberam o padrão. Foi quando aconteceu algo que mudou tudo: um desses colegas era visivelmente um gay enrustido, daí um colega a certa altura falou que no carro tinha dois gays. Um claramente era ele e o outro só podia ser eu, pq todos os outros tinham namorada. Entrei em choque ao perceber que a minha fama provavelmente não era só de "pega-ninguém", mas de gay, algo que eu jamais havia cogitado. Continuei com a ideia de que seria melhor perder o BV e o cabaço com uma puta, porque se eu fracassasse não corria o risco de espalhar. Então tentei com mais uma, em outra cidade: mesma coisa, ereção insuficiente para penetração (meu pau amoleceu lá dentro). Ah, e com essa eu perdi o BV, aos 20 e poucos anos. Eu preciso dizer que detesto ambiente de motel, camisinha e sexo com hora marcada, mas tentei outra vez. Dessa vez foi a mais humilhante da minha vida porque além de o pau não subir de jeito nenhum ele tava bem retraído, parecendo ainda menor. Daí a puta me tratou como criança, como se estivesse com pena. Mandei ela ir embora na hora. Fiquei extremamente transtornado com os meus dois traumas: pau pequeno e a possibilidade de ser gay. A essa altura preciso recapitular alguns pontos: eu sabia de certa forma que curtia o mesmo sexo, mas jamais cogitava ser gay. Eu via mais como uma tara, e como eu consumia pornografia hétero jamais tinha questionado a minha sexualidade. Pensava que isso ia ficar na baixa e uma hora eu encontraria a mulher certa. Também fazia muito tempo que havia tido experiências homo. O meu insucesso com mulheres eu creditava ao nervosismo, falta de experiência etc. Até que um dia, sentado em um banco de praça, pela primeira vez eu liguei os pontos e assumi que o fracasso era por falta de desejo mesmo e associei isso ao desejo homo. Eu jamais tinha pensado por esse ângulo, então assumi pra mim: ok, eu sou gay. Afundei ainda mais na depressão mas embarquei em uma série de experiências homo, que há muito tempo não tinha. Foi quando beijei um homem pela primeira vez. Depois de várias experiências cheguei a algumas conclusões: não gosto de homem, gosto de pênis, não gosto de sexo anal, seja ativo ou passivo e eu tenho certa dificuldade de me excitar e gozar na hora H, até mesmo com homens. Digo isso porque várias vezes marquei de chupar alguns caras e na hora H eu nem ficava excitado. Foi quando conheci um cara em particular que teve toda a paciência comigo. Nas primeiras vezes ficava de pau mole e demorei muito pra gozar pela primeira vez. E o mais importante: ele não exigia sexo anal. Com ele faço tudo, menos sexo anal. Naturalmente fiquei muito confortável com ele e há alguns anos ele é meu "pau amigo".
Então desde a adolescência enfrento depressão crônica, que se agravou muito quando descobri que era gay. A minha sexualidade tem causado diversos prejuízos na minha vida, o que no início eu nem percebia. Mas não é só esse o problema: também percebi que não sei fazer nada na vida. Demorei quase 10 anos pra me graduar, nesse tempo torrei um dinheiro que herdei do meu pai e não sei o que fazer além de tentar a sorte em um concurso público. Tenho quase 30 anos e moro e sou sustentado pela minha mãe. Convivo há anos com a depressão e a ideação suicida.
Há dois anos estou com um terapeuta que gosto muito e com quem compartilho as reflexões que fiz desde que admiti que sou gay e das experiências que tive. A conclusão que tive é a seguinte: analisando o meu histórico de vida é correto afirmar que sinto atração pelo mesmo sexo, mas eu também já experimentei atração pelo sexo oposto, embora reconheça que seja menos frequente e intensa. Ocorre que eu sempre planejei ter uma família natural, tradicional. Isso porque não tive uma. Não pretendo apostar em uma vida homo ou na castidade. Também quero resgatar a minha autoestima como homem, porque ser incapaz de me relacionar com mulheres me perturba mais do que ter atração pelo mesmo sexo. Resgatando a autoestima e autoconfiança melhora a minha sociabilidade. O meu modelo são alguns caras que mesmo tendo atração pelo mesmo sexo conseguiram se relacionar com uma mulher e iniciar uma família, o meu próprio terapeutas conhece particularmente casos assim.

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Escrito por Anônimo

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