Eu confesso queQue sensação esquisita! Queria transformá-la em poesia, ou pelo menos em palavras bonitas, mas dessa vez quero ser sincera comigo mesma. Nesse processo de transformar sentimentos em algo agradável ou inteligente de ser lido, a gente acaba perdendo o fundamental: a verdade. Então hoje não vou tentar fazer com que essa dor no peito pareça melhor, até porque ninguém há de ler isso. Não, esse texto não. Esse texto fica guardado aqui, a sete chaves, e só quem poderia lê-lo seria você, em um futuro impossível e inacessível.
Dói meu peito e sinto aquela saudade – mesmo depois de tê-la visto durante toda a tarde – que me mata, que me faz repensar tudo que fiz quando você estava próxima. Dói meu peito porque sinto o martírio do arrependimento por não ter conversado com você, nem mesmo quando com aquele seu lindo sorriso você falou comigo. Dói meu peito porque lembro de ter olhado para você desesperadamente, com medo de que fosse embora e não voltasse nunca mais. Dói meu peito porque sinto faíscas entre nós, mas também reconheço a sinceridade do amor de vocês. Amor, paixão ou o que quer que seja… Não posso culpar aquela que está no lugar que eu gostaria de ocupar.
Dói meu peito, afinal, por querê-la tanto, mas tanto e tanto, a ponto de tanto desejo fazer palpitar meu coração. Dói meu peito porque lembro que todas as vezes em que estivemos próximas e eu tive a oportunidade de conversar ou de falar algo agradável, eu travei ou não consegui aproveitar a deixa. Dói meu peito porque quando você tentou me abordar e saber se eu era alguém do seu mundo, eu dei a entender que não era, mesmo que inconscientemente. Ah, como dói!
Dói meu peito porque agora, nesse momento mesmo, eu gostaria de estar com você. Queria estar falando com você, beijando você, tocando você. Dói meu peito porque não posso ter nada disso que me causa tantas e tantas dores no peito. Dói, além do meu peito, minha garganta e meus pulmões. Doem como doem quando perdemos alguém querido,
Ah, mas dói mesmo é o meu peito! Dói de querer ter estado mais com você, de ter ficado mais próxima, de ter esbarrado em seu braço. Dói de vontade de passar as mãos em seus cabelos, seus braços e seu corpo, dói de vontade de sentir seus lábios, seus seios, sua vida.
Dói meu peito quando a vejo chegar, e não posso cumprimentá-la do jeito que gostaria. Dói mais ainda quando vejo que você está indo embora, e que apenas nos meus sonhos mais lindos eu vou com você. Dói meu peito por não sentir teu peito. Dói meu peito por querer ouvir mais vezes a sua voz, por querer conhecê-la melhor.
Dói meu peito de maneira incontrolável quando as imagino juntas. Dói por saber que você a ama tanto, por ser ela e não eu. Dói meu peito porque penso que podíamos, talvez, em um mundo de possibilidades remotas e distantes, ter ficado juntas por pelo menos uma vez. Dói meu peito novamente de arrependimento, por não ter conseguido mostrar que eu também sentia aquela eletricidade.
Dói meu peito por querer e querer e querer. E doerá meu peito ainda que eu a tenha, porque aí eu imaginarei a dor de perdê-la. Pensando bem, já dói meu peito de medo de perder aquilo que não tenho.

