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dois pesos e duas medidas

Eu confesso que acho as pessoas de onde moro umas hipócritas, porque não denunciam criminoso que mora no bairro, mas denunciam gente de fora. Gente de fora que vem vender é traficante e é denunciado. Gente que mora aqui faz a mesma coisa, diz que vende uma parada e só. Gente daqui é sempre coitado filho, neto, irmão, primo de alguém. Já ouvi até dizer que tem salvação no céu. Me desculpe pessoas, mas não creio, não gosto de homem de 30 anos que nunca trabalhou na vida, nunca ajudou ninguém, nunca lavou o próprio prato, usa roupa maneira ofertada em drogas, anda em péssimas companhias desde sempre, deixa o dinheiro de venda de drogas debaixo da toalha da mesa e os pais o pegam e colocam no bolso fingindo não saber de onde vem. Assim no domingo vai todo mundo pra igreja, pra escola dominical, pra missa, pra qualquer canto. Creio que quem cala consente, que dizer que não tem importância e até mesmo bajular esse tipo de gente mostra o tamanho da hipocrisia. Estou revoltado porque conheço uma casa de recuperação e sei que é muito difícil largar e nunca pode recuperar o tempo que perdeu, muita gente morre sem se recuperar. Creio que todos que colaboram tem a mesma culpa, o que vende, o que controla, o aviãozinho, a velhinha que vigia, o bem humorado bom de papo que busca no carro dele para abastecer o bairro, a garota que fica com um e outro da corja de vagabundos, futura mãe solteira que vai buscar marido dentro de igreja séria, conheço dez agora. Estou com muita revolta.

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Escrito por Anônimo

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