Eu confesso que tenho um ódio dentro de mim que escapa pelas brechas da minha couraça. Esse ódio é desejo de destruição e vingança, na verdade, ele busca um objeto para se fixar e ter vazão. Esse objeto eu sei que não é o real culpado pelo meu ódio, mas é que ele passou para o meu campo de atenção na hora que o veneno escapou de dentro de mim. Esse ódio é bem disfarçado sob uma armadura de sanidade e normalidade, mas por dentro, eu gosto de ver o objeto sofrer, secretamente me compraz. Tenho fantasias de vingança contra esses objetos que me deixam muito afastada daqueles ensinamentos que a religião ensina. Só queria que Jesus me curasse. Queria que houvesse um Jesus é que ele passasse por mim, me olhasse nos olhos e me abraçasse. Nesse momento, eu voltaria aos meus 5 anos de idade e correria a brincar na rua onde cresci. Será por isso que Jesus fala: se não nos tornarmos como criancinhas não poderemos entrar no reino dos céus? Preciso de uma igreja, só hoje, mas eu sei que é ilusão.

