Eu confesso que eu era menina feliz dos 11 aos 17 anos. Aos 11 anos descobri, sozinha, como obter meu próprio prazer (masturbação). Fazia isso quase todos os dias.
Aos 15 anos, mudei-me para um outro colégio. No ano seguinte, neste tal colégio, eu estava mais comunicativa ou as pessoas falavam mais comigo, não sei. Um dia, estava sentada no pátio e ao meu lado tinha dois colegas de sala meus (um menino e uma menina), eles vieram puxar papo comigo. Perguntaram-me se eu me masturbava e como, também falaram que faziam isso, eu acho, não me lembro muito bem, pois já faz muitos anos. Falaram que não contariam a ninguém, eu, boba, acreditei. Poucos dias depois, já estavam comentando e me zoando, só não entendia o porquê de me zoarem, pois nunca achei nada de errado na tal prática.
Tinha um garoto que era da minha sala, que era o que mais me zoava. Nesses dias de zoação, ele pegou um beliche (naquela sala, na parte da tarde, estudavam crianças) e jogou no meio de minhas pernas (aproveitou que eu estava de pernas abertas e distraída). Nem preciso dizer que foi humilhante, falaram para eu falar com a diretora, mas fiquei com vergonha de falar. Achei melhor não falar nada, pois assim o ocorrido seria esquecido logo, acho. Mas, ainda assim, continuei com a tal prática, como disse, achava nada de mal nela. Decidi mudar de colégio no ano seguinte, não só por causa disso, mas por causa de outros constantes bullyings que eu sofria.
No outro colégio, infelizmente, o capeta do beliche foi também. Mas a minha mãe conversou com a mãe dele para ele me deixar em paz neste colégio e ele, aparentemente, deixou-me em paz. Ledo engano. Ele não me zoava como antes, só um pouquinho e às vezes, pelo menos na minha frente. Talvez pelo fato de a turma ser bem maior e nem todo o mundo ser contra mim.
Um dia, tive a infeliz ideia de fazer um caderno de perguntas e dei para meus coleguinhas responderem. Esse menino e mais três amigos (um menino e duas meninas) quiseram responder meu caderno de perguntas e eu deixei. Não deveria. Assim que recebi o caderno, comecei a lê-lo e ficava chocada com cada coisa que eles haviam respondido. O do beliche perguntou se eu metia lápis na buceta e uma menina me disse que o dia que eu arrumasse alguém eu iria parar com as siriricas com os lápis. Minha vontade foi de chorar ali, no meio da sala de aula, mas eu era forte e não chorei. Cheguei em casa, fiquei lendo o caderno e chorava com o que eu lia.
A partir dali, eu cai na real e entendi o porquê me zoavam: para eles, masturbação era algo para quem não tinha capacidade de arrumar alguém. Pelo menos, para eles, esse era meu caso. Sim, pois todo o mundo me achava feia. Enfim, aquilo foi como um choque. Eu passei a achar exatamente o que eles achavam: que eu era incapaz de arrumar alguém e por isso me masturbava. Eu,simplesmente, a partir daquele dia, parei de fazer tal prática. Ou se fazia eram poucas vezes pois depois batia o sentimento de frustração: sou incapaz de arrumar alguém.
Essas poucas vezes foram se tornando cada vez mais escassas e hoje estou no que estou: parei de me masturbar pra sempre, acho. Digo acho pois nunca sei o dia de amanhã. Quem sabe, no futuro, eu não goste a voltar de fazer isso e perca essa trauma? Além de parar de me masturbar, também nunca mais levei rola alguma, novamente por traumas (bom,isto aí, talvez, não seja somente por traumas, mas conta bastante). Mas esta história fica para outro dia.

