Você nunca entenderia a incompatibilidade das nossas almas. Você é tão puro que eu me sinto suja. E vai além do que qualquer palavra poderá um dia explicar.
Você é bom. É sim.
Mas você não é bom por obrigação de ser. Não por acreditar em valores morais supérfluos. Você é bom porque é.
Gentil e doce por natureza. Eu vejo o jardim em você. Não sei se outras pessoas veem esse jardim. Talvez vejam, eu não sei mas espero que sim. É tão bonito. Você é aquele tipo clichê de gente que ajuda idoso a atravessar a rua. Gosta de criança. Gosta de cuidar, de dar suporte. E eu queria estar lá sempre pra você. Sabe, naqueles momentos em que você se entrega tanto que não sobra mais nada. E você cai no asfalto frio, desacreditado de tudo. Nesses momentos sua alma parece um pouco a minha. Você olha pros lados e a rua é deserta. Você está encharcado e exausto e não tem ninguém. Nunca. Bom, eu queria ser alguém. Alguém que vai estar lá pra você o tempo todo quando você quiser e precisar. Dou tudo pra você. Faço tudo pra você. Eu não ligo de ficar vazia se for pra preencher você. Quero beber todas as suas lágrimas. E quero fazer você ser o sol de novo, mesmo que você não veja que eu estou lá. Posso ser invisível se você for visível e tocável pra mim.
Em algum lugar no tempo, nós.
Você se lembra? Claro que não. Não tem problema. Eu lembro o bastante por nós dois.
Eu sou a sujeira varrida pra debaixo do tapete e que nunca será de fato jogada fora. Vou ficar aqui . Invisível. Sempre.

