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Esquipática.

Hoje eu tive um pequeno ataque. Eu tinha escrito um desabafo cá, mas eu estava com tanta, tanta raiva, que prefri não postar, pois poderiam haver comentarios maldosos e isso acabaria por me magoar, e eu não queria. Então, fui espairecer, mas comecei a chorar, embora as lágrimas parecem correr com hesitação. O que eu queria realmente era gritar. Eu sentia algo na garganta, pressão na mandíbula. Eu tinha que gritar, mas sufoquei.
Eu faço isso há alguns anos. Há alguns anos que tenho que gritar, mas não posso. E acabei por desenvolver bruxismo. Mas um dia, eu irei gritar e por toda a angustia para fora;
Mais tarde, fui socializar virtualmente e acabei por me comover com a história de uma pessoa, e ao invés de vir aqui pedir ajuda, me ofereci a ajudá-la.
Eu tenho feito isso por anos e anos. Mas dessa vez não sinto dor em fazer isso, como muitas vezes tive. Nem prazer ilusório, apenas quero ajudar e ponto.
Eu preciso de um minuto de desabafo, será que posso tê-lo? Eu queria ajuda. Irei contar algumas coisas.

Eu tenho 17 anos agora, e terminei a escola no fim do ano passado. Não ingressei ainda na Universidade, embora esteja interessada no curso de Belas Artes, mas isso pouco importa para a história.
Ao decorrer de três anos [acho], minha personalidade sofreu muitos choques e oclusões, deformações e supressões;
Eu me tornei muito mais melancólica, muito mais raivosa, muito mais ansiosa; tive ataques persecutórios e ansiosos, e de pânico, e transtornos psicossomáticos. Também tive e tenho pensamentos compulsivo-obsessivos.
Mas não é sobre o que eu quero falar agora. O que eu quero falar é simples para mim e aterrorizante para quem ouve.
Eu ouço vozes na minha cabeça.
E elas soam como coisas desconexas; mas também sabem ser sarcásticas, e as vezes, me iluminam, mas as vezes, me contaminam com falsas previsões.
Não é exatamente como uma voz audível ao mundo externo [acústica ‘para fora’ ou ‘de fora’]. É só como um pensamento, que tem um timbre reconhecível como meu [um timbre ‘imaginário’, desculpe-me, as tentativas de explicá-lo são falhas] e soa como paralelo aos meus pensamentos, e as vezes os abafa, e quando deito a noite, se tornam em verdadeiras vozes. E eu tenho medo do que posso me tornar. E eu estou verdadeiramente cansada. Jesus, eu sou só uma adolescente.
E eu sinto tanta dor que vocês não podem imaginar. Mas não é por isso que eu choro. E eu não irei dizê-lo, porque apenas queria confessar sobre isso [vozes] pois elas tem começado a me preocupar, embora não em demasia, pois sou apática e excessivamente tolerante, as vezes.
Eu escuto há mais ou menos um ano e meio, e antes, pouco importaram, mas elas tem se perpetuado, e tem me irritado com mais frequência, embora eu seja uma tola que nunca falará sobre isso com mais ninguém.
Eu tentei por ajuda virtual, mas os médicos pouco exclarecem e pouco se importam. Li algo sobre sonorização ou eco do pensamento e pensei em indagá-los sobre, mas eles não me são claros e nem querem ser. Também acham que só três tipos de pessoas podem ter consciência de alucinações: Os Médicos; A família do doente; o doente quando diagnosticado e medicado. Ou seja, uma pessoa como eu jamais teria essa ‘consciência’ e minha idade me inclui na faixa de "dramáticos, mentirosos e equivocados". Pude constar isso.
Pensei em pensei psicólogos, mas eles estão voltados para outros públicos; mesmo nos fóruns, há maior atenção aos neuróticos e eu não queria me meter, pois nem sequer sei o que tenho.
E se pensar bem, se a doença me consumir, ao menos ela me presentou, com visões e pensamentos alterados, que são úteis para mim, pois gostaria de ser Artista Visual. Desde a minha alteração na personalidade, eu me tornei muito subjetiva [eu amava exatas antes, embora não fosse lógica, na personalidade] e aumentou minha parte ingênua [embora eu já tenha sido mais] me tornando muito facilmente mergulhada num mundo fantasioso e isso me fez produzir minha inserção na Arte.
Devo dizer que eu sofri e me autopuni com a exclusão; as pessoas me achavam "estranha", " doente", ou "coitada", nas próprias palavras delas, que muitas vezes as vozes repetem pra mim ouvir agora. Eu confesso que agia mal e parecia uma alienígena, até nas minhas vestimentas, como andar suja, desgrenhada, ou com roupas de frio no calor. O velho hábito voltou, embora me culpem um pouco e eu ache errado o que fazem, não posso me ausentar totalmente da culpa que eu possa e deva ter.
Tenho verdadeiro medo da reacção das pessoas, se soubessem. Eu acho que elas me achariam "louca", embora eu não use essa palavra. Ou talvez ficassem com medo, pena, repulsa. Eu não sei, me sinto sempre alheia ao mundo. Dizem que vivo num mundo paralelo, mas eu não me importe mais, pois quando tentei me encaixar, me sujeitei ao estresse e desintegrei.
Apesar de tudo, eu sei que não há cura, e que remédios irão me dilacerar. Mas eu realmente gostaria de apoio e compreensão, num mundo que não parece ter.
Obrigada por ler isso, eu acho.
Talvez um dia nos encontremos num lugar mais apropriado, com menos lámurios pessoais egoístas e mais amor.

Paz.

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Escrito por Anônimo

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