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Estou a ficar louco!

A memória mostra me que estou a perder a sanidade. Estou a ficar louco. Tenho medo de mim… Tenho vergonha dos meus pensamentos. O silêncio e a solidão desafia me a imaginar certas coisas para, pelo menos, provocar alguma adrenalina dentro do poço negro em que vivo. Fecho os olhos e mergulho num mundo onde estou autorizado a fazer e cometer tudo. A experimentar o proibido ou o absurdamente impossível, ora lírico, sexual ou cruel. Procuro humilhar me e castigar me no lugar mais secreto e impenetrável do meu ser. Por fora pareço normal, mas por dentro sou um monstro desprezível. A vida roubou me o sorriso e quem diz me amar nunca reconheceu ou quis perceber o vazio. Quero fugir deles mas sou incapaz, vivo aprisionado numa vida falsa, indesejada. Mas o sofrimento nunca me seduziu tanto como agora. A inércia e a passividade é uma espécie de dormência que me suspende nas horas negras, que se estende dos pés, nádegas, costas, pescoço, mãos, músculos da face e dentes. O vazio do estômago é compensado pela gula violenta e animalesca. Além de gordo também pareço um porco decadente. Que exginxa para dentro, que engole o vómito que é gerado no coração fraco mas de pedra. A sociedade sempre mostrou não tolerar pessoas como eu. A solidão transformou me e produziu uma intolerância ainda mais indesejada. A sociedade é uma merda, impõe a felicidade da maioria, de uma maioria ignorante, rasca, conservadora, mentirosa, invejosa, injusta, corrupta, avarenta, de pais, mães, irmãos, amigos, colegas, que não merecem ser amados por cordeiros que choram às escondidas por uma abraço de liberdade.

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Escrito por Anônimo

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