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Estrada da infelicidade

Eu me pergunto: será que existem outros que se sentem como eu? Olhando para o meu passado, nao consigo definir se esse era o meu destino, do qual nao poderia fugir ou se tudo é fruto das escolhas erradas.Hoje tenho 20 anos e quando olho fotos de quando tinha 5 ou 6, as que eu nao queimei, chego a me questionar: o que deu errado? Por que tem que ser assim? É que me vejo como uma criança normal naquela época que, mais que isso, possuía alguma beleza. Nao quero fazer apologia à aparencia, mas é inegavel que isso é muito valorizado na sociedade atual e, entrando na adolescencia, por volta de meus 10 anos, entrei em um grave processo de crise de aceitacao da minha propria aparencia. Meu cabelo, que era liso e loiro até meus 7 anos, ficou crespo e sem cor, e cedo comecei a padecer de um mal que, pensava que jamais iria destruir minha vida, mas eu permiti que destruisse: espinhas!!! Parece banal, mas fazer o que? Eu odiava as espinhas e me odiava mais ainda por causa delas. No início, a vida parecia tão fácil e até boa de se viver. Eu era sempre o melhor aluno da turma, nunca tive dificuldade em nenhuma matéria, exceto áquela que diz respeito aos sentimentos. Desde muito cedo, nao sei se devido a uma explosao hormonal precoce ou devido à influência da TV, mas era mais que tudo isso. Era uma vontade, um sonho, talvez uma curiosidade de descobrir o que era o amor, como era estar apaixonado e como seria ser correspondido. Só sei que ainda na 3° série (ou poderia ser na 2°?-faz mais de 10 anos!) pensava estar perdidamente apaixonado por uma garota da minha sala. Ela era Linda e só por ela, meu coração disparava, me faltava o ar, dava um frio na barriga, coisas que nenhuma outra de minhas desilusões amorosas me fez sentir. Mas ela jamais quis saber de mim, e tambem sempre a amei-se aquilo era amor-em segredo. E eu estava me enchendo de espinhas. Meu cabelo era horrivel e até meu nariz me incomodava, nao só pelo tamanho, que considero desproporcional ao meu rosto, como tambem por aquelas espinhas gigantes que insistiam em nascer justamente nele. E com apenas 12 anos, ja enfrentava uma tremenda decepcao amorosa, ao ver a garota que eu gostava beijando outro cara. Eu sei que era muito cedo, nao só pra mim, quanto pra ela. Mas essa é a parte bonita do inicio da historia. O pior, e mais vergonhoso, eu conto agora: ao mesmo tempo em que as espinhas iam aumentando, que eu ia me sentindo cada vez mais um monstro em vez de gente (era como me considerava, a ponto de ter desejado a morte varias vezes), ha tempos que ja vinha em uma pratica que, no meu caso foi precoce e com consequencias terriveis, das quais, infelizmente, eu nao fazia ideia naquela época: era a masturbação. Talvez por isso tivesse tanta espinha. Hoje eu percebo que, ainda criança, eu permiti que um nefasto impulso lascivo fosse me corrompendo. Como ja disse, no inicio eu era o mais destacado na escola e tambem na catequese da igreja. Mas logo aquele impulso me levou para uma pratica pior que a masturbacao: por volta dos 11, 12 anos, descobri a pornografia. Sei que essa historia pode parecer comum para alguns, mas as circunstâncias que me diziam respeito eram bem peculiares. Incialmente, eu colocava toda a culpa da minha dor e sofrimento nas espinhas. Todo mundo tem um rosto normal, só eu que tenho essa aparencia de monstro! Entao, na 7° serie, parei de estudar por dois anos e tambem parei de ir à igreja. Lógico que minha mae nao me entendia e eu nao conseguia nem tinha coragem de pedir ajuda. Ela me levou em psicólogo, psiquiatra, apesar das nossas péssimas condições financeiras. Cheguei a tomar remedio controlado, mas nao adiantava, porque a causa da minha tristeza era outra. Até que resolvi falar a ela, que era por causa das espinhas. Eu ainda nao havia me dado conta de que o problema nao era mais isso e sim o mal, o vício silencioso e destrutivo com o qual tenho que lidar até hoje. Depois de 2 anos, voltei a estudar, á noite, e até arrumei um emprego e o quão cruel o destino foi comigo: com 17 anos, ainda em fase de desenvolvimento (pelo menos a meu ver), entrava 5 e meia da manhā no trabalho, em uma padaria! Foi um período desgastante, de estudo, trabalho, masturbacao e porno. E o pior: em meio a esse caos comportamental, ainda trazia e trago comigo aquela vontade inicial de viver uma grande e inesquecivel historia de amor. Tanto é que, ao terminar o fundamental no EJA (educacao para jovens e adultos), no Ensino Medio vivi mais 3 traumatizantes historias de amor nao correspondido. Nao vou entrar em detalhes dessas 3 historias, mesmo porque poderia escrever um livro sobre cada uma delas. Só sei que enquanto me iludia eu até conseguia viver por um tempo livre de meus vícios secretos, os quais, aos poucos, deixaram de ser tao secretos. É que eu tambem vivia em um desgastante mal estar espiritual, pois sabia que o que faço é errado. Cheguei a falar isso para minha mae algumas vezes, até mesmo chorando, mas ela nao entendeu direito minha grande dificuldade em lidar com isso e o quanto isso me domina. Cheguei a me confessar na igreja varias vezes (depois que voltei a frequentar), mas nao consigo me libertar disso. Passa um tempo e eu caio de novo e o pior é que ja nem me sinto tao mal quanto me sentia antes, mas ainda me sinto mal. Mas voltando às 3 garotas: me apaixonei perdidamente por uma no 1° semestre do 2° ano, até que ela passou a namorar um cara da nossa sala. Resultado: lágrimas e tristeza, que só alimentavam meus outros vícios. No 2° semestre, ela foi embora, mas apareceu outra e essa até me deu esperanças. Parecia haver uma química entre mim e ela, até eu descobrir que ela tinha namorado: mais lágrimas e tristeza… Chego no 3° e ultimo ano do Ensino Medio disposto a ostentar um coração de pedra, mas no primeiro sorriso de uma garota para mim e ja estou novamente apaixonado, mas dessa vez resolvi abrir o jogo e ver o que acontecia e isso depois de conhecer melhor a garota, quero dizer, depois de muito ajudar ela em todas as matérias (apesar de tudo que passava, sempre continuava sendo o melhor aluno), resolvi dizer que estava apaixonado e como eu ja imaginava: rejeicao e mais lágrimas e sofrimento, mais do que nas outras vezes, porque logo ela arrumou um namorado, que não eu. Agora estou convencido que realmente minha aparencia tornou-se extremamente desagradavel para qualquer garota. E olha que, como eu disse no inicio, quando muito criança eu era lindo, sem exagero. Tanto é, que minha irmã que, gracas a Deus, traça um destino bem diferente do meu, tem 13 anos e é simplesmemte linda, para nao dizer maravilhosa. Ela ja ta quase do meu tamanho e tem só 13 anos. Nem pra crescer eu prestei: tenho o pai mais alto da familia e sou um dos mais baixos. Talvez por isso, alem das horriveis cicatrizes no meu rosto e meu cabelo que se tornou ruim, nenhuma garota jamais tenha gostado de mim. Mas eu minto pra mim mesmo: enquanto nao superar estes malévolos vícios da pornografia e masturbacao, continuarei nesta estrada rumo a uma existencia fracassada, sozinho e perdido. Hoje ja sei que nem mereço o amor de nenhuma garota e estou disposto a viver sem nunca ter sabido ao menos qual o sabor de um beijo de mulher. Só o que quero agora é ser livre.

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Escrito por Anônimo

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