Desde os meus 6 anos, começou a perseguição. Um menino, filho do vizinho, deixou uma carta para mim na caixa do correio e quem pegou foi a minha mão, que mostrou ao meu pai. Na época eu deveria ter 7 anos. Ele me colocou sentada em uma cadeira e começou a fazer o seu sermão. Eu nem conhecia o menino! Quando algum colega de escola me encontrava na rua e me dava tchau, ele queria saber quem era e começava a me dar bronca novamente. Teve uma vez que um menino da escola me encontrou no mercado e queria apenas me dar “oi”. Eu comecei a correr no mercado para fingir que não o conhecia e para que meu pai não o encontrasse. Na adolescência eu pensei que isso tivesse parado, até o dia que um rapaz ligou para casa me procurando. Eu não tinha dado o meu número para ele, talvez tenha conseguido com alguém conhecido. Novamente, meu pai me colocou sentada em uma cadeira e falou coisas terríveis sobre os homens. Que os homens só querem usar as mulheres e descartá-las, que a mulher perde o valor quando se entrega a um homem, que se eu engravidasse o garoto não iria querer cuidar do filho (eu mal tinha falado com esse rapaz). Sei que parece bobo para os outros, mas para mim foi uma tortura.


O que seu pai disse não é totalmente mentira. O erro está na generalização absoluta. Há bons e maus homens, assim como há boas e más mulheres. Isso, contudo, não pode servir de pretexto para que as pessoas se enclausurem e deixem de viver a vida.
Amor e sexo estão entre as melhores coisas que a vida nos pode proporcionar e não podemos simplesmente abrir mão disso, por receio de sofrer, porque tudo que causa prazer, de alguma forma também causa sofrimento.
Liberte-se, viva a vida, tenha relacionamentos, antes que seja tarde demais. Comece por perder sua virgindade e descobrir que isso não é o fim do mundo.