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Eu destruí minha vida – uma longa história

Não sei quando, mas em algum momento tudo começou a ficar muito ruim. Talvez tenha começado com o divórcio dos meus pais, então veio a madrasta, que nunca estava muito feliz em me ver por perto. Depois apareceu foi um vizinho, adolescente, que gostava de "brincar" de me bulinar. Eu como era criança, não sabia o que pensar daquilo. Então mudei de cidade, e no novo lugar um dia tentei beijar uma menina vizinha minha, "brincar" como aquele vizinho brincava comigo. Ela ficou assutada. Me chamou de sapatão. Então vi que aquilo era errado. Foi a primeira vez que me senti verdadeiramente inadequada. E nunca contei isso para ninguém.
Nessa época minha mãe não conseguia trabalho e agente vivia de pensão. Ela ficou deprimida. E eu mesmo já "grandinha" ainda urinava na cama. Mesmo o psicológo não ajudou muito. Pois parei com isso, mas tinha um monte de outros problemas não resolvidos.
Então meu pai começou a beber mais (sempre bebeu) e a ficar violento. Nunca descontava na madrasta, mas descontava em mim e na minha mãe. Qualquer coisa que agente fizesse errado ele vinha com ameaças. Para mim ele era assustador. seu eu cometece um erro, se não tirasse 10, se não fosse perfeita. Seria punida. E minha madrasta também não gostava de mim e começou a ficar veladamente hostil. Só soltava o veneno quando ela estava sozinha comigo. Chegou a um ponto que parei de querer ficar perto dele. Fui me afastando durante a adolecencia, ele também.
Minha mãe "cuidava" de mim. Mas nunca dizia que me amava, nunca me abraçava, nunca me beijava. Quase nunca conversava comigo, fora pregar sobre Deus e Jesus. Qualquer coisa que eu dizia, ela falava para orar que Deus ía resolver. Tudo era pecado, e me vigiava o tempo todo, com medo que eu fosse "me perder na vida". Eu tinha pena dela, porque ela dizia que não tinha mais ninguém, então obedecia cegamente e até acompanhava na igreja.
Depois de um tempo ví que não podia contar com ela, e que nada daquilo era para mim.
Na adolecência minha madrasta sempre dizia que eu era gorda e desleixada, que minhas amigas eram lindas, mas eu cheirava mal, me vestia mal, falava mal, me portava mal, era estranha e que parecia isso, parecia aquilo. Eu acreditava. Minhas amigas eram muito gentis e me diziam que eu era bonita. Mas eu não acreditava. Me achava feia, e quando um garoto chegava perto eu entrava em pânico. Achava que ninguém nunca ía me amar. E que nenhum relacionamento iria durar. Então eu me afastava.
Nunca contava para as minhas amigas o que acontecia em casa. Eu tinha vergonha, porque todas eram lindas e maravilhosas, princesas. Eu era o sapo.
E por causa do meu silêncio, do muro que construí, afastei pessoas boas que poderiam ser amigas de verdade. Mas tinha medo. Medo de mostrar o queão feia eu era, como minha vida era feia.
Depois fui fazer faculdade.
Consegui com muito custo passar numa faculdade pública. Não sabia o que queria, só queria fazer algo da vida. Afinal minha família era daquele jeito, tinha afastado as amigas, pelo menos profissionalmente queria me dar bem.
Mas me sentia muito insegura. Mesmo cheia de medo, me sentindo incopetente, com vergonha, insisti. Mas acho que aquela carreira não era para mim. Fui me desgastando. E depois quando me formei, não conseguia emprego fixo. Me senti derrotada, estudar era a única coisa que eu sabia fazer, e parecia que nem isso eu tinha feito direito.
Cheguei a um ponto onde não tinha família, emprego, amor, ou amigos.
Eu falhei em tudo o que tentei. E deixei de tentar muita coisa por me achar inferior.
Agora meu pai descobriu que estava doente (nada muit grave), mas por isso precisou para de beber, ele já tem uma certa idade, e começou a frequentar o AA. Ele parece estar tentando se aproximar. E em todo lugar dizem que tenho q perdoar ele, mas não consigo. Sinto um vazio e um medo enorme quando ele aparece. Um desespero. Não consigo nem chorar mais. queria que ele sumisse. Mas não digo para ninguém porque isso "não é coisa de Deus". Então aguento.
Tento fazer cursos para ver se consigo fazer minha "carreira" ir para frente. Mas algumas horas acho que já é tarde demais.
Estou muito velha para amar, muito velha para começar de novo, muito velha para muita coisa. Minha vida foi em vão. Eu vivi para nada.
Algumas horas acho que só me resta morrer.

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Escrito por Anônimo

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