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Eu matei alguém

Não. Não é clickbait. Eu realmente matei uma pessoa, mesmo que não seja pelas minhas próprias mãos. Aqui um aviso para vocês: Nunca, jamais, brinque com certas coisas. Não é divertido quanto parece. Enfim, no meu colégio, mais ou menos no 7°, ano eu conheci uma menina, que era 3 turmas acima de mim. Começamos a conversar, e eventualmente ficamos amigas. Eu não realmente gostava dela, mas eu queria conversar para ver se eu ficava amiga do povo do ensino médio, e ganhar um pouco de popularidade. E assim foi. Fiquei amiga dos amigos dela, o que foi fácil, e mesmo também não gostando deles, eu achava eles bem mais legais que ela. A menina era bem desconfiada comigo, talvez porque eu mentisse demais. Mas os outros nem pareciam fazer caso, então prossegui. Chegou em um ponto, que ela — extremamente sincera — começou a falar verdades no grupo sobre mim. Não na intenção de “Há, vou expor ela”, mas sim no sentido de quando eu contava alguma mentira, ela contradizia. Eu peguei um ódio mortal pela garota, então eu comecei a fazer o que me parecia mais lógico: A tratar mal. Eu a trarei como lixo, e os amigos dela, burros, achavam que era brincadeira. Ela pedia para eu parar, mas eu continuava. E cada mês eu fui pior. Eu me orgulhava disso. Me perguntava se os amigos eram burros ou ignorantes, porém eu prossegui. Até que uns dois anos depois, chegou num ponto extremamente pesado (Essa parte, eu não deixava os amigos dela verem). Eu batia nela no banheiro do colégio, a xingava, dizia que ela devia se matar, roubava coisas dela…E com o tempo, outros amigos meus, que não eram dela, se juntaram à mim. Eu era a principal. Me sentia uma estrela, poderosa, grande. Eu não era mais uma menina qualquer. Eu era temida. Eu estava acima de tudo e todos. Era maravilhoso. A menina já me desprezava completamente nessa época, então, eu não fazia muito caso. Eu espalhava boatos sobre ela, e ela eventualmente perdia muitos amigos. Ela mudou. Fisiologicamente, e emocionalmente. Eu percebia isso, mas ignorava. Eu estava me divertindo muito para pensar. Até que um dia, cheguei no colégio, e todos pareciam tristes. A atmosfera etava pesada. Perguntei o que estava acontecendo, e me avisaram que a menina tinha se suicidado. O motivo foi overdose causada por remédios. Eu entrei em choque. Eu não consegui assimilar nos primeiros horários de aula. Só sabia de uma coisa: Eu tinha feito merda, a culpa era minha. Pela primeira vez na vida, eu me senti culpada por algo. Todos aqueles amigos que se afastaram dela por minha causa, magicamente a amavam como tudo novamente. E eu lá. Sem saber o que dizer agora. Eu tinha causado tudo aquilo. Nem eu sabia mais porque, eu só sabia que eu era perversa. Que eu era uma monstra. Eu era realmente a culpada daquilo. Eu ataca sentindo culpa por conta própria? Foi a sociedade que impôs esse sentimento? Não sei, e não sei se saberei. Porém eu carregarei isso até o fim de minha vida, mesmo que não queira. É uma consequência. Eu vou para o inferno de todo jeito. Eu fui vitimista, cínica, falsa, má, impiedosa, entre milhares de outras coisas. Agora terei que arcar com o preço. O que me deixava muito mal, era quando eu ouvia minha mãe falar dela. Falar como foi lastimosa a morte da garota, tão jovem, coitada. Eu apenas concordava com a cabeça. Afinal, eu não ia dizer para minha mãe: “Oi mãe, eu torturei a menina até ela se suicidar. Não é o máximo?” De toda forma, hoje eu sou adulta, estou me formando na faculdade, e até hoje, isso me trás terror. Só em conhecer alguém com o mesmo nome ou sobrenome da menina, eu já fico com calafrios. Não acho que eu sou mentalmente saudável — o que ficou óbvio ao longo do relato — e mesmo assim, sinto que talvez ela merecesse um pouco, mesmo que a errada da história seja eu. Não importa o tamanho do seu ódio, não deixe ele matar alguém. Não faça ele destruir a vida de uma pessoa.

Se não a próxima pessoa com a vida destruída será você.

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Escrito por Anônimo

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Acabei mesmo.

Gosto de ser peluda