Eu confesso que cansei de tentar me preocupar com gente que me despreza. Eu já tenho idade para trabalhar e sair de casa – e é isso que eu planejo.
Farei um panorama sobre minha relação com minha família.
É incrível como as pessoas de fora da minha família gostam de reconhecer meus esforços e me elogiam por isso. Eu acho "incrível" porque esse bando de inútil com os quais tive o desprazer de crescer e conviver, só prestam para colocar as pessoas para baixo e inventar defeito em tudo.
Já fui desprezada porque eu nasci do sexo feminino, quando queriam um menino. Acredite.
Eu fui criada para ouvir todas as merdas e abaixar a minha cabeça, e pelo visto, esse plano funcionou perfeitamente.
Prova disso é o reflexo da minha vida escolar. Já apanhei várias vezes, já fui xingada várias vezes. Ainda sim, ficava calada por sentir culpa e medo. A única vez que tive coragem de dizer o que ocorreu comigo, fui ridicularizada só por querer mudar de escola. Era apenas frescura da minha parte. Infelizmente as sequelas ficaram até hoje e me tornei um ser extremamente antissocial, irritado e de mal com a vida.
A única paisagem que conheço é as paredes do meu quarto mesmo.
Falar menos que o necessário é característica marcante de um ser antissocial e, como já citado, eu não tinha posicionamento para me defender diante a calúnias.
Talvez, uma das pior situação pela qual já passei, foi o dia que minha mãe foi diagnosticada com câncer. Um dia antes eu tinha ouvido do meu próprio pai:"se sua mãe morrer, será sua culpa. Não quero ver uma lágrima no velório, entendeu bem? Pois elas certamente serão de crocodilo ".
Foi uma das piores coisas que ouvi, porém, não foi só por conta do discurso em si e sim do emissor – o meu próprio pai.
No dia seguinte, o médico nos informou que ela adquiriu câncer de pulmão por ter sido fumante passiva na sua infância e adolescência. Minha mãe, que nunca colocou um cigarro na boca.
Cuidei dela no hospital. Naquele momento, tentei relevar o que meu pai disse, embora lamente por isso até hoje.
Além de estúpido, ele agiu como o típico cretino traidor. Já flagrei vários diálogos dele com outras mulheres e descobri por terceiros traições cometidas por ele.
Não odeio homens, mas isso é fez colocar a roupagem de infiel em todos os homens com quem eu me deparava. E no fundo sabia que estava errada.
Os homens também não fugiram do estereótipo de "violentos" que eu mesmo atribuí a eles.
E o engraçado, é que quando eu apanhava e aparecia com uma marca roxa na frente de outras pessoas, meu pai disse que não fazia idéia de como aquilo tinha acontecido.
Mas não me xinguem, homens. Não vistam a carapuça sem motivos…
Em 2013, minha irmã descobriu que tinha depressão. Foi um inferno para todos nós.
Ela me ameaçou com uma faca e naquela noite eu não dormi.
Nessa altura do campeonato eu já estava começando a compreender que aquele era só o ponto de origem de muitos problemas da minha vida e marcou minha saída da adolescência para a vida adulta.
No final de 2014, quem foi diagnosticada com depressão fui eu. Isso coincidiu com minha formação no ensino médio e o abandono permanente dos poucos amigos que eu tinha.
Nesse período, eu pensei em todo trabalho que minha irmã deu e tentei minimizar a dor de cabeça que supostamente seria causada. Tentei desistir em muitas oportunidades e só um depressivo sabe como é fácil arrumar métodos de suicídio. Estava tudo nas minhas mãos. As várias cartelas de remédios, a navalha… Um Mantra de "vai passar" me ajudou nessa situação, assim como a tentativa de manter minha mente aberta para as respostas de perguntas que tanto assolavam minha mente: o que vai ser do meu futuro? Vai passar?
O que eu tirei disso foi que todo mundo tem problemas e que o máximo que você consegue permanecer de pé, determina sua vitória no futuro.
Desde então criei várias formas de driblar todas as sequelas e começar a ter ganhos, produtos de meu esforço, por mais difícil que seja me manter motivada.
Eu só escrevi isso aqui porque não tenho a quem contar.

