Sou ex-morador de uma das capitais do centro-oeste. Sempre habituado com a vida dos grandes centros urbanos.
Num determinado momento da minha vida, passei em um concurso público para uma pequena cidade do interior do Mato Grosso, como estava desempregado, aceitei de imediato. Grande erro!!!
Como já me diziam, ir para o interior é fácil. Sair do interior é bem mais complicado.
Uma cidade com péssima infra-estrutura, às margens do rio Araguaia, lotado de insetos e vazia de habitantes com suas vidinhas pacatas e insossas. Já se vão dois anos e ainda não consigo me habituar a essa sub-vida. Quero mais, penso em coisas maiores.
Não há com quem conversar, discutir, evoluir intelectualmente pois são todos uns alienados acéfalos. Cidade de maioria protestante.
Estou longe de casa, da minha família e meus amigos, sofrendo só. Rezando pelo próximo feriado não tardar em vir para que, finalmente, possa ir visitá-los.
O foda é que na minha profissão, ganho razoavelmente bem (muito bem quando levado em consideração ao valor pago em outros municípios) e a expectativa é que meu salário dobre de valor assim que me efetivar no serviço público (Jul/17).
Viver aqui é um constante e diário choque de cultura mas, nestes tempos de crise, fica difícil abrir mão do serviço público e voltar à minha vida normal para lançar-me a algo incerto.
Trabalhar com serviço público municipal é constantemente lidar com cobras peçonhentas e famintas. Todos querendo-o devorar.
Lidar com população de baixa renda e com baixíssimo nível de escolaridade é ainda pior. Maioria de conformistas, ignorantes, sem limites, cínicos, desrespeitosos e de moral duvidosa.
Eu não devia ter feito Psicologia.

