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Eu parei de fumar maconha

Olá amigos empacados no vício de maconha. Minha história pessoal com a maldita erva vocês podem conferir no depoimento “Maconha – experiência pessoal”, que eu postei faz uma semana. Nesse tempo, eu consegui ficar limpo, mesmo com meu irmão fumando no quarto ao lado várias vezes por dia. Eu sei que é pouco tempo, 1 semana, mas eu tenho a concreta convicção de que agora é pra valer, não tem mais volta.

Meu primeiro passo foi aceitar que meu estado de vício era profundo, e que não dava para tentar parar “aos poucos”. Nos primeiros 3 dias, meu pensamento foi: atividade. Como meu hábito de fumar se reduzia à minha casa, tive que passar o tempo todo em atividade, saindo, resolvendo coisas na rua e, principalmente, fazendo exercícios físicos, nem que fosse uma mera caminhada. Desde que parei, tenho feito exercícios todos os dias, as vezes mais de uma vez por dia, e qualquer motivo que me fizesse sair de casa era suficiente, nem que fosse pra comprar um parafuso do outro lado da cidade. Não podia parar para pensar, pois se eu encostava, começava a pensar e, consequentemente, a ficar na fissura. Lógico que antes disso, eu já tinha me convencido de que não rolava mais NEM UM baseado, nem meia bola, nem no fim de semana, nada. Tinha que ser limpeza total. Pois bem, nos primeiros quatro dias malhei que nem um louco, pois era o que me aliviava. Fui tomado de grande ansiedade, claro, mas também estava cônscio de que isso rolaria. O pior para mim foi durante a noite, para dormir está sendo foda, ali bate a fissura forte, calor, agitação, taquicardia. Também nos momentos de relaxamento, depois de chegar da faculdade, à noite, e eu procurei não pensar, só mentalizar: atividade, atividade! ia organizar minhas coisas, tocar guitarra, fazer umas flexões, etc.; mas, importante, evitei tudo que me fazia rememorar a maconha, como jogar video game. Claro, como falei acima, com meu irmão fumando sem parar no quarto AO LADO, eu sentindo a marola. Entrei numa pesquisa na universidade, me matriculei numa aula de Krav Maga, disposto a dar o sangue por essas coisas, não por causa delas em si, mas como terapia. Comecei a praticar Zazen (meditação budista) todos os dias também, pois envolve concentrar na respiração e não se apegar aos seus pensamentos (pois eles causam a fissura). Tudo isso foi crucial para eu conseguir, mas cada um encontra seus meios.

Posteriormente, fui numa médica, e joguei a real pra ela. Pra minha sorte, ela já havia tratado muitos na minha sittuação, e algumas coisas que ela falou para mim foram muito pertinentes (ainda vou retornar pra ela me passar uns calmantes, nada pesado). Ela me falou que eu tinha que me ver como um doente, que levarei 6 meses para me desintoxicar. Me disse que eu deveria tomar MUITA vitamina C, e, curioso, tomar vários sucos mega-concentrados me tranquilizou também. Me disse também para, durante esses 6 meses, nem pensar em parar de fumar cigarro, pois isso levaria meu esforço por água abaixo. Disse que as taquicardias, calor, etc, são normais, pois os receptores do meu corpo estão “desorientados” pelo uso contínuo e abusivo. Agora, no sétimo dia, ainda tenho fissura nos momentos em que “relaxo”, sinto agitação e minha perna não para de bater (como neste exato momento em que escrevo, enquanto o zé mané do meu irmão está fumando uma tronca no quarto ao lado).

Agora que falei da parte ruim de ter parado de fumar, vem a parte boa. No início desse texto, disse que estava convicto que não tem mais volta, e agora explico o porquê. Pois, essa semana, mesmo sendo a mais difícil da minha vida, foi também a melhor. Parece que eu estou em outra realidade, leve e fácil. Em uma semana, pus em prática tudo que, em 4 anos, não consegui. Se você tem consciencia do mal que a maconha te faz, é só quando você para que você vê realmente como ela transtorna sua vida. Nunca estive tão feliz. O gosto da comida é diferente, conversar com as pessoas ficou novamente prazerozo e edificante, as aulas se tornaram interessantes, os medos e angústias foram varridos pra longe. Dedicar-me as coisas que gosto, em vez de penoso, se tornou uma experiência maravilhosa, tenho PRAZER PLENO em fazer cada pequena atividade, desde lavar louça até enfrentar uma fila de banco. Conheci pessoas novas, e, mesmo que seja duro abandonar (pelo menos temporariamente) as amizades e amores de anos seguidos, você vê como aquelas pessoas, usuários, estão sem paz em suas vidas, carregam um peso enorme nas costas sem notar. Acordar cedo nunca foi tão fácil, e é lindo olhar para o amanhecer com seu corpo são, energético, diposto a enfrentar qualquer batalha que a vida te coloque pela frente. Sim, eu estou empolgado com a minha nova vida, e sei que, posteriormente, as coisas vão voltar a ser apenas corriqueiras, mas esta empolgação me dá forças infinitas para continuar limpo, são, mente clara, livre de amarras e complicações, idéias fluindo de maneira correta, não por meio de lombra. Livre da maconha. Acho que minha personalidade auto-crítica e auto-exigente me ajudou a dar o primeiro passo, e essa atitude, mesmo que às vezes te delegue uma dose de stress, é útil. Seja auto-crítico, queira ser o melhor possível e impossível, e esteja consciente que largar esta merda é um GUERRA, não é para qualquer um, só para aqueles que realmente desejam ser melhores em tudo que façam. Não estou com tanta fissura como nos primeiros dias, mesmo quando penso em maconha, pois estou tão feliz e radiante que não há a menor possibilidade de eu jogar tudo fora por causa de um baseado. Pois, se eu fumar umzinho sequer, uma bola que for, já era, volto a estaca zero, e me darei o direito de fumar, outro, outro, outro, até voltar pro mesmo fundo do poço. Não tenha dó de si mesmo e reaja!!!!

Abraço a todos, e que todos possam usufruir desta alegria que sinto agora, que ultrapasa qualquer fissura!

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Escrito por Anônimo

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