Hoje eu acordei lembrando do quanto eu chorei ontem. Um reflexo das dores que eu me faço aguentar num relacionamento que me diga e me prende, abusivo, cruel. Nunca me amou e deixa transparecer no mínimo trejeito, mas as palavras que me diz são como correntes e tuas promessas são o cadeado que as prendem em mim. Não tenho determinação, nem dinheiro, nem nada para oferecer além da devoção que só me provou ser mais uma causa dessa aguda dor de existência. Eu me doei, mas do que deveria, sempre. A decepção primeira da traição veio como um aviso de "eu te disse", uma menina desconhecida, uma situação aleatória e banal. O perdão quase que imediato, mas falso em minha boca, te odeio mais e mais todos os dias, então porque eu fico? Eu mesma não sei. E não quero mais ficar. Nem aqui, contigo, nem lá sozinha. Não tenho amigos que se dão o trabalho de se importar e a família se absorve em suas próprias brigas para tentar fazer jus ao mandato social de ser o último nicho a se recorrer, o último front de batalha. Queria poder esperar até conseguir ajuda, sei que tenho um problema, essa trsite em mim não é normal, mas não sei se consigo. Queria algo sem dor, sem sensação, quase como eu me sinto agora, anestesiada. Uma materialização do segundo plano que sempre ocupei. Gostaria que Deus só me levasse, pra longe de tudo.

