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Eu só queria ser feliz – só isso.

Meu nome é Ricardo, sou microempresário, tenho 40 anos e sou gay, discreto e não efeminado. Já sofri muito na minha juventude, tanto por minha aparência, quanto por minha condição social. Cresci no preconceito de uma cidade pequena, minha mãe era alcoólatra e tinha fama de dormir com todos os homens que via pela frente, tinha 5 filhos – todos de pais diferentes – eu não sei de quem eu sou filho. Ela morreu aos 39 anos de problemas devido ao vício. Eu e meus irmãos, fomos separados e cada um tomou um destino, eu e minha irmã, mais velhos, com 14 e 11 anos, fomos morar com um tio em São Paulo, já os mais novos, de 9, 7 e 5 anos, foram morar com uma viúva na mesma cidade. O caçula infelizmente, se envolveu em mau caminho e morreu muito novo, a única menina, a de 11 anos, engravidou aos 15. Sorte a dela, que o cara era estudioso – 16 anos – e trabalhador.
Eu era um adolescente muito aplicado na escola, sempre era muito elogiado, e era realmente um destaque, apesar disso, eu era muito feio, tinha os dois dentes frontais quebrados, a cara severamente marcada por espinhas, e uma pálpebra caída – o que me rendeu muitos insultos. Minha adolescência foi um inferno – quando eu falava pros meus tios o desespero que eu tinha, eles falavam que era frescura de adolescente, depois passava.
Com 18 anos, entrei na faculdade, comecei a trabalhar, passei a me cuidar mais, comprei cremes, roupas boas, fiz um implante dentário – não resolveu nada, mais amenizou as situações – comprei óculos escuros para esconder a pálpebra. Até diziam que eu era sombrio, pois só usava roupa preta e óculos escuro. Cheguei a fazer alguns amigos, pela primeira vez ninguém ligava para minha aparência. Um dia, meus amigos, então me chamaram para ir a balada, eu era muitissimo tímido. Aí eles praticamente me empurraram para uma garota que estava lá – ela não era bonita e nem feia. Ela começou a se insinuar para mim, se esfregava na minhas pernas, me chamou para dançar e estava meio bêbada, apertava no meu "brinquedo". Eu lembrei da minha mãe e saí de lá. Eu peguei uma revista pornográfica do meu tio, com então 21 anos, e não senti nada. Eu fiquei apreensivo, pois na época passava uma novela com gays e eu via um preconceito da sociedade até com personagens da tv – e se fosse seu vizinho?
Eu chorava, perguntava a Deus porque eu não era normal. Foi quando eu conclui a faculdade. Fiz um concurso público e comecei a trabalhar estabilizado…Por um conselho de uma amiga, eu fiz uma cirurgia na pálpebra, pouco tempo depois, fiz uma reconstrução dentária, e depois, um tratamento profundo no meu rosto. O preço foi salgado – passei seis anos pagando tudo – de prestação em prestação. Mas eu me sentia o homem mais lindo do mundo rsrs. As pessoas me perguntavam porque eu não arranjava namorada, as respostas eram a mesmas: ninguém me quer, ninguém gosta do meu jeitos, não tenho sorte no amor. Mas na verdade era devido a minha homossexualidade. Eu não aguentava e ia na balada gay, meu primeiro beijo foi aos 25 anos – seguido da primeira vez. Passei a ser frequentador assíduo dessas baladas. Com 28 anos, a validade do concurso venceu e fui trabalhar numa transportadora…O dono não sabia administrar direito e eu era muito eficiente, com cálculos, essas coisas. A transportadora ficou a preço de banana – falo transportadora, mas eram só 2 caminhões – e eu comprei com algumas economias que tinha. Na verdade, todas as minhas economias, eu dei fôlego a transportadora, e ela ficou maior um pouco – 4 caminhões. Hoje estou bem-sucedido financeiramente, mas nunca conheci alguém que conquistasse meu coração. Como falei, eu sou frequentador assíduo dessas baladas gays – mas eu já estou cansado de só fazer sexo – quero algo mais profundo, o amor mais propriamente dito. Hoje as pessoas sabem, mesmo sem eu ter dito, que eu sou gay. Mas eu não quero morrer sozinho, eu quero alguém ao meu lado, eu quero ter filhos – quero dar a eles tudo o que eu não tive. Eu tento de tudo, encontros a jato, site de relacionamento eu não sei usar direito. Por favor, me ajudem, como eu posso me sentir feliz – como eu posso encontrar alguém para me fazer feliz?

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Escrito por Anônimo

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sou casado. mas amo minha primeira namorada

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