Eu confesso que percebi a minha real natureza. Apenas depois de julgar boas as minhas ações, e sinceros os meus sentimentos, dei de cara com a minha verdadeira pessoa. As moedas que costumava doar a pedintes, as lágrimas com as histórias tristes de vida – toda demonstração de altruísmo não passava de moldagem da face boa que há sobre a face que verdadeiramente me representa. Utilizo as pessoas como escadas para a realização dos meus planos; e logo as dispenso. Mantenho um relacionamento, a fim de manter uma fachada de realização, enquanto não alcanço o que realmente desejo. Realizada profissionalmente, para que permaneceria com um sujeito fraco na cama e nas atitudes? Sugo do que eu posso, até não precisar mais. Eu sou um alguém mau. Sinto certo incômodo ao constatá-lo; e ao mesmo tempo, folgo em saber que sou capaz de manipular sutilmente as pessoas, para o meu próprio bem.

