Eu confesso que tenho um pavor, o pavor de ser obrigado a me trocar em um vestiário masculino. Meu pênis é muito pequeno. Ereto chega a 12 cm. Quando está flácido (e nos vestiários os pênis sempre estão flácidos, pelo menos para os heterossexuais, meu caso), se eu não raspar os pelos pubianos, só a glande fica visível. Algum tempo atrás, passei por uma cirurgia e meu grande medo não era da cirurgia em si, mas de ficar exposto, nu, sobre a mesa cirúrgica, sendo que meu grande segredo (na verdade, pequeno, muito pequeno) seria revelado na frente de todos. Após a cirurgia, já no quarto do hospital, não conseguia olhar diretamente nos olhos de nenhum dos profissionais de saúde. Será que aquela enfermeira que acabara de entrar sabe que meu pinto é minúsculo?. “Não olha pra minha bunda não, meu filho, que eu quero é distância de pintinho”. Será que fazem zombarias de mim no refeitório? ” Você viu aquele rapaz do quarto 320? Coitado, tão bonito e com um piupiuzinho tão pequeno!” Arrepia-me imaginar que, ao morrer, a pessoa que for me vestir para o velório constatará que tenho um pintinho ridículo. Chamará outras pessoas para testemunhar a aberração e soltarão todos uma gargalhada sórdida, em seguida. Uma gargalhada que me fará sentir essa humilhação por toda a eternidade. Meu sofrimento é ainda maior por ser brasileiro, povo que, pelo menos é o que afirmam as pesquisas, tem o pênis bastante grande. Dizem que há mulheres que se interessam bastante, cultivam verdadeiros fetiches, por homens com pênis bastante pequeno. Mas gostar de pênis pequeno é uma coisa. Agora, pênis com miseráveis 12 cm aí já é demais (ou de menos, infelizmente).

